Cidade da Praia, 12 Out (Inforpress) – O presidente da ANAS defendeu hoje, na Praia, o reforço das estratégias de aproveitamento da água e a sensibilização da população para o uso responsável dos recursos hídricos, face à escassez de chuvas em Cabo Verde.
Em declarações à imprensa, à margem do 2.º Seminário Técnico da Água dos Países de Expressão Portuguesa (SAPEP), o presidente do Conselho de Administração da Agência Nacional de Água e Saneamento (ANAS), Manuel Adilson Fragoso, afirmou que o encontro permite partilhar experiências entre Cabo Verde, Portugal, Brasil e Moçambique, com vista à melhoria dos serviços de abastecimento de água e à procura de soluções para os desafios do sector.
O responsável considerou que, sendo Cabo Verde um país saheliano, é necessário compreender as limitações impostas pela escassez de água e apostar em estratégias que permitam aproveitar melhor os recursos disponíveis, incluindo a água armazenada nas barragens e nos reservatórios naturais.
“Tem de entender o que é seco, para poder valorizar a água”, afirmou, defendendo também o envolvimento das comunidades na protecção e utilização responsável deste recurso.
Por sua vez, o presidente da Comunidade da Água dos Países de Expressão Portuguesa (CAPEP), Jorge Cardoso Gonçalves, apontou as perdas de água nas redes de distribuição como um dos principais desafios do sector, defendendo medidas operacionais para melhorar a eficiência dos sistemas de abastecimento.
Segundo o responsável, os países participantes enfrentam problemas comuns, nomeadamente, dificuldades de acesso à água, questões relacionadas com a sua qualidade e infra-estruturas envelhecidas.
Jorge Cardoso Gonçalves defendeu que o combate à escassez deve passar tanto pelo reforço das fontes de abastecimento como pela redução das perdas nas redes e pela utilização eficiente da água.
Em relação a Cabo Verde, destacou a dessalinização como uma fonte de abastecimento já estabelecida, mas considerou necessário melhorar a gestão dos sistemas para evitar desperdícios.
“O que nós não podemos fazer é continuar a fazer o mesmo e esperar resultados diferentes”, afirmou, salientando a importância de intervenções no terreno para reduzir as perdas de água.
O 2.º SAPEP é uma iniciativa da CAPEP, constituída por Portugal, Brasil, Cabo Verde e Moçambique que visa promover a cooperação e a partilha de experiências no sector da água.
Após a primeira edição, dedicada à Gestão das Zonas Costeiras, que contou com mais de 120 inscritos, esta edição ultrapassou as 200 inscrições, presenciais e online.
O programa inclui debates sobre a gestão dos serviços de água, saúde pública e perdas nas redes de distribuição, bem como a apresentação de boas práticas e soluções para melhorar o sector nos países participantes.
CG/HF
Inforpress/Fim
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