
Nova Sintra, 21 Ago (Inforpress) – A Associação dos Deficientes Visuais de Cabo Verde (Adevic) e a Câmara Municipal da Brava realizaram hoje um encontro para abordar questões relacionadas com a inclusão das pessoas com deficiência, com particular enfoque nos cidadãos com deficiência visual.
O encontro enquadra-se nas actividades de promoção dos direitos das pessoas com deficiência e teve como propósito reforçar a articulação entre a Adevic e as instituições locais, tendo em vista a criação de melhores condições para a participação dessas pessoas na sociedade.
Em declarações à Inforpress, o coordenador do Programa de Direitos Humanos e Advocacia da União Africana dos Cegos (AFUB), Carlos Mascarenhas, explicou que a visita à Brava teve como um dos principais objectivos reunir-se com a equipa camarária para debater formas de promover uma sociedade mais inclusiva.
“Neste encontro falámos sobre a inclusão, políticas públicas que vão ao encontro das necessidades das pessoas com deficiência visual e também tentámos encontrar alguma forma de envolver a edilidade como parceira da Associação dos Deficientes Visuais de Cabo Verde”, afirmou.
Segundo Carlos Mascarenhas, face às dificuldades encontradas pela Adevic no terreno, existe um conjunto de actividades que pode ser desenvolvido em parceria com as câmaras municipais, empresas, instituições governamentais e outras entidades.
Entre essas iniciativas apontou a realização de formações sobre atendimento e inclusão, bem como acções relacionadas com o emprego, escolarização e capacitação das pessoas com deficiência visual.
“São actividades que têm que ser desenvolvidas, assim como para as outras pessoas, mas também para as pessoas portadoras destas deficiências”, salientou.
Aquele responsável da AFUB destacou ainda que a inclusão deve abranger áreas como a sensibilização, emprego, formação, educação e criação de condições para que as pessoas com deficiência possam garantir o seu sustento, através do empreendedorismo ou de outras formas de inserção económica.
Reconheceu que as instituições e câmaras municipais têm desenvolvido algumas iniciativas para melhorar as condições das pessoas com deficiência, mas defendeu que “é preciso fazer mais”, alertando para a tendência de se abordar a deficiência numa perspectiva meramente assistencialista.
“Nós temos de ver isso de uma outra forma, pensar na pessoa de uma forma digna, que pode desenvolver as suas actividades com as condições necessárias para o efeito”, frisou.
Por seu turno, o presidente da Câmara Municipal da Brava, Amândio Brito, manifestou o seu apreço pela realização do encontro, considerando importante a partilha de informações com uma associação que trabalha directamente com um público-alvo bem definido.
“Acabámos de perceber que, numa lógica de uma sociedade mais inclusiva e justa, podemos estabelecer uma parceria para que, nos próximos tempos, sobretudo na região Fogo e Brava, onde a associação tem uma representação, possamos trabalhar juntos”, afirmou.
O autarca admitiu ainda a possibilidade de criação de um ponto focal da Adevic na ilha Brava, com o propósito de facilitar a articulação e o acompanhamento das pessoas com deficiência visual.
Segundo Amândio Brito, as partes chegaram a um entendimento no sentido de avançar para a assinatura de um protocolo, no qual deverão ficar definidas as responsabilidades de cada interveniente.
“Teremos uma nova abordagem em relação às pessoas que são portadoras de limitações e que precisam de ter um espaço na sociedade mais activo, ser parte integral e dar o seu contributo para o desenvolvimento da sociedade bravense e cabo-verdiana no seu todo”, sublinhou.
O autarca realçou que as pessoas com deficiência visual possuem capacidades e competências que devem ser valorizadas, destacando o caso de cidadãos que já concluíram o ensino secundário.
“São pessoas que têm a sua utilidade, têm potencialidades e competências e, por isso, devemos trabalhar todos juntos para que possam dar o seu contributo de forma valiosa e justa”, defendeu.
Para Brito, o encontro foi “muito positivo” e representa um “passo importante” para o estabelecimento de uma parceria que poderá contribuir para uma maior inclusão das pessoas com deficiência visual na ilha Brava.
DM/ZS
Inforpress/Fim
Partilhar