
Cidade da Praia, 07 Abr (Inforpress) - O director-geral da Unidade de Informação Financeira (UIF), Daniel Monteiro, afirmou hoje, na Praia, que as organizações da sociedade civil (OSC) devem reforçar a transparência e a prestação de contas para prevenir e combater a criminalidade económica e financeira.
Daniel Monteiro defendeu que as organizações da sociedade civil desempenham um papel estratégico na prevenção e combate à corrupção, desde que adoptem práticas sólidas de transparência e integridade financeira.
Em entrevista, no âmbito do segundo dia do Encontro Nacional das Organizações da Sociedade Civil, aquele responsável explicou que o enquadramento internacional, nomeadamente as recomendações do Grupo de Acção Financeira (GAFI), reconhece tanto os riscos como o potencial destas organizações no combate à criminalidade económica.
Segundo indicou, a “recomendação 8 da GAFI estabelece orientações específicas” para o sector, sublinhando a necessidade de controlo e supervisão, mas também o contributo que as organizações podem dar na prevenção de práticas ilícitas.
Daniel Monteiro salientou que a transparência financeira, através do registo rigoroso de doadores, parceiros e da aplicação dos fundos, constitui uma das principais ferramentas de prevenção, permitindo reduzir vulnerabilidades e reforçar a credibilidade institucional.
“O combate à corrupção começa dentro das próprias organizações, com práticas claras de prestação de contas e gestão responsável dos recursos”, frisou.
Aquele responsável acrescentou que organizações devidamente estruturadas e em conformidade com o regime jurídico têm maior capacidade de intervenção na governação, podendo influenciar políticas públicas e contribuir para o fortalecimento da democracia participativa.
Neste sentido, defendeu a criação de mecanismos que garantam maior participação da sociedade civil nos processos de decisão, incluindo a sua audição obrigatória em matérias relevantes para o desenvolvimento do país.
Por sua vez, a vice-presidente da Plataforma das ONG, Isabel Moniz, defendeu a necessidade de financiamento público estruturado para o terceiro sector, à semelhança de outras entidades, como forma de reduzir a fragilidade financeira das organizações.
A mesma fonte sublinhou que o reforço da transparência e da prestação de contas é igualmente um desafio interno, essencial para garantir credibilidade e maior capacidade de intervenção.
O Encontro Nacional das Organizações da Sociedade Civil decorre de 06 a 08 deste mês e reúne cerca de uma centena de organizações para debater o papel do sector no desenvolvimento e na consolidação da democracia em Cabo Verde.
CG/SR
Inforpress/Fim
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