
Cidade da Praia, 26 Set (Inforpress) – Os operadores da Cabo Verde Airlines-TACV e da CV-Interilhas pediram hoje ao Governo a revisão da regulamentação neste sector para melhor prestação do serviço público no país, tanto marítimo como aéreo.
Este pedido foi feito hoje durante um encontro que estes operadores tiveram com a Câmara de Comércio de Sotavento (CCS), na Praia, para tentar perceber os desafios e as principais preocupações dos mesmos.
Segundo o director operacional da CVA, António Socorro, esta empresa tem enfrentado nesses últimos tempos vários desafios a nível do transporte aéreo doméstico.
Em termos de transporte e conectividade das ilhas, disse também que a operadora enfrenta dificuldades, porque, segundo explicou, durante um ano e meio operaram com um avião em regime de ACMI, ou seja, avião alugado, que tem que passar pelo processo de certificação, e sublinhou que este processo de certificação é “duro e desafiante”.
“Nesse momento, o país tem um avião que chegou de Marrocos para fazer voos, enquanto se aguarda a certificação do nosso avião, que ainda não existem condições para serem certificados, ou seja, a regulamentação que existe “não está adaptada” ao modelo que temos neste momento”, adiantou António Socorro.
“O grande desafio que temos neste momento tem a ver principalmente com a regulamentação. Acho que devemos rever a regulamentação, no sentido de melhorar em termos de desafios actuais”, defendeu, considerando que o Governo deve definir claramente a política de transporte que quer tanto nos transportes aéreos como marítimos.
Defendeu ainda que deve haver um “Master Plan” a nível de transportes em Cabo Verde, para facilitar tanto a conectividade assim como o serviço público que esse sistema intermodal funcionaria “muito bem”.
Por sua vez, o director financeiro e administrativo da CV Interilhas, Aniceto Soares, durante a sua intervenção no encontro apontou também algumas dificuldades que a empresa enfrenta sobretudo a nível de infra-estruturas, que tem causado constrangimentos operacionais, na maioria dos portos do país.
Deu exemplo das ilhas de São Nicolau, Brava e a cidade da Praia, e apontou neste sentido dificuldades de ligação com as autoridades e os serviços competentes na gestão dessas infra-estruturas.
Um outro problema tem a ver com as cargas dos passageiros, destacando que devido ao fluxo, que às vezes acontece ao mesmo tempo, traz constrangimentos operacionais. Daí, sublinhou, que a qualidade de serviço prestado ao cliente poderia ser melhor.
Aniceto Soares destacou também que a capacidade total da quantidade de passageiros transportados na linha em determinados períodos do ano, tem uma taxa de ocupação a 100%. E que isto é um dos constrangimentos do próprio mercado.
“Se tivéssemos uma época alta de 10 a 12 meses, se calhar este serviço não seria um serviço público”, afirmou.
Uma outra preocupação levantada pelo responsável financeiro da CV Interilhas tem a ver com a regulamentação a nível da tripulação e o próprio uso dos seus navios, e deu exemplo da situação do Navio Chiquinho que, conforme explicou, tem uma “capacidade enorme” e que poderia estar a transportar e a dar mais serviço.
Relativamente à Cabotagem, disse que o país não tem uma legislação como têm os outros países, e que aplicam as leis e convenções internacionais, que dificultam e limitam a utilização, não só dos navios, mas também a capacitação dos recursos humanos.
Quanto às infra-estruturas, disse que a Cabnave precisa de investimentos para que se consiga dar uma resposta a todas as solicitações.
De referir que todos os operadores presentes, tanto despachantes oficiais e de transportes marítimos e áreas apresentaram as dificuldades que este sector vem enfrentando, a nível da logística nas alfândegas, regulamentação e outras preocupações.
Este encontro promovido pela CCS acontece no âmbito da implementação do projecto de diálogo estratégico sectorial, uma iniciativa que estabelece um espaço técnico e participativo de escuta activa, permitindo às lideranças empresariais partilhar visões, identificar constrangimentos e apresentar propostas que contribuam para o fortalecimento da agenda económica nacional, segundo o vice-presidente da Assembleia Geral da CCS, Ronny Maurício.
DG/ZS
Inforpress/Fim
Partilhar