
Cidade da Praia, 20 Mai (Inforpress) – O presidente da Câmara de Comércio de Sotavento (CCS) afirmou hoje aguardar com elevada expectativa que o novo Governo assuma as áreas estruturantes como os transportes, a formação profissional e a transição energética.
Marcos Rodrigues, que falava à Inforpress sobre as expectativas da organização quanto ao executivo saído das eleições de 17 de Maio, defendeu que o futuro económico do país depende de reformas profundas nos transportes, na energia, na retenção de talentos jovens e no combate à pobreza.
O presidente da CCS apontou como prioridade das prioridades o sector dos transportes, realçando que, para a classe empresarial, a conectividade interna é de “importância capital” para aproximar as pessoas e dinamizar os negócios.
Sobre a promessa de fixar os bilhetes de passagens aéreas domésticas em 5.000 escudos, Marcos Rodrigues garantiu que a medida é perfeitamente exequível através de uma reorganização financeira do Estado.
“A proposta passa por retirar os pesados subsídios e isenções desnecessárias aplicados nos transportes aéreos internacionais e canalizar esses recursos para subsidiar a aviação doméstica”, disse, argumentando que o investimento nos transportes internos trará um retorno imediato em impostos através do crescimento económico de ilhas mais isoladas como a Brava e o Maio.
Afirmou ainda que Cabo Verde gasta uma fortuna desnecessária nos transportes internacionais — facto para o qual a CCS já chamou a atenção várias vezes —, devendo concentrar estes gastos nos transportes domésticos, ou seja, “cortar onde deve e injectar onde precisa”.
Para o presidente da CCS, que aponta como urgente agir no sentido de reter e qualificar os jovens em Cabo Verde, evitando o fluxo migratório da juventude para o exterior, a solução neste domínio passa pela criação de esperança e de oportunidades reais de rendimento no país.
O foco, segundo disse, deve ser a formação técnica e profissional direccionada para as reais necessidades do mercado.
Defendeu, por outro lado, que profissões qualificadas como carpinteiros e pedreiros já oferecem boa remuneração em Cabo Verde.
“Se um jovem qualificado auferir localmente metade do valor que ganharia na Europa, onde enfrenta custos de vida sufocantes, como rendas elevadas, terá uma qualidade de vida superior no seu próprio país”, asseverou, propondo a criação de institutos técnicos capazes de atrair, formar e qualificar quadros.
Conforme Marcos Rodrigues, o desenvolvimento equilibrado do território exige uma resposta urgente para as ilhas mais fustigadas pela interioridade, propondo a criação de zonas económicas especiais com incentivos fiscais diferenciados.
No sector energético, considerou que a meta deve ser a transição rápida para as energias renováveis, travando a importação permanente de combustíveis fósseis e reduzindo os custos de produção que sobrecarregam a economia.
O porta-voz dos representantes empresariais, que apontou o combate à pobreza e a desburocratização como medidas necessárias para o desenvolvimento, sustentou que “a pobreza é inimiga do negócio” e exigiu que o combate à vulnerabilidade social seja um foco central de rotura com o passado.
O sector privado pede uma revisão profunda e a reestruturação tecnológica do país, sugerindo a descontinuação de várias instituições do sector digital que proliferaram recentemente e que não têm dado respostas eficazes.
“Temos um sector tecnológico que não consegue entregar ao país o avanço no sector. A questão do NOSi tem de ser repensada e reestruturada, pois não responde ao desenvolvimento do país”, disse.
Segundo o mesmo responsável, a agenda para o futuro imediato deve incluir, de forma urgente, a redução substancial da burocracia, a digitalização dos serviços públicos, o combate firme à corrupção, a aceleração da justiça económica e uma maior transparência nos concursos públicos para facilitar o investimento.
PC/HF
Inforpress/Fim
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