
Mindelo, 03 Jul (Inforpress) – Os sindicatos Simetec e Sintcap pediram hoje “intervenção urgente do Governo” na implementação do novo Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) dos Correios de Cabo Verde, alegando que o processo foi conduzido com ilegalidades.
Em conferência de imprensa, no Mindelo, Tomás Aquino, em representação do Sindicato de Metalomecânica, Transportes, Comunicações e Turismo (Simetec) e Sindicato dos Transportes, Comunicações e Administração Pública (Sintcap), afirmou que a administração dos Correios “não cumpriu o compromisso assumido” no início do ano de remeter o projecto do PCCS às estruturas sindicais para discussão e socialização junto dos trabalhadores.
"Fomos surpreendidos com uma ordem de serviço a informar que o Plano de Cargos, Carreiras e Salários já tinha sido implementado. Não houve diálogo, fomos completamente ignorados", declarou.
Segundo Tomás Aquino, a primeira medida passa por tornar pública a situação e solicitar a intervenção do executivo.
"A primeira acção que estamos a fazer é esta denúncia pública. Vamos pedir a intervenção do Governo e vamos impugnar a ordem de serviço junto das autoridades competentes", afirmou.
O dirigente sindical sustentou que o processo "está ferido de vícios procedimentais e de ilegalidades susceptíveis de determinar a sua impugnação", razão pela qual os sindicatos exigem a suspensão da implementação do PCCS.
Os sindicatos denunciam ainda alegadas irregularidades no recrutamento de trabalhadores, esclarecendo que a impugnação da ordem de serviço não visa impedir novas admissões, mas contestar a forma como o processo foi conduzido.
"Não somos contra a entrada de trabalhadores em nenhuma empresa, nem contra a progressão nas carreiras. O que queremos é que o processo seja transparente e justo. Não pode haver favorecimento de uns em detrimento de outros", sublinhou.
Segundo explicou, alguns trabalhadores foram convidados para exercer funções antes da realização do concurso público, tendo este sido promovido posteriormente para regularizar a sua integração.
"As regras são claras. A admissão nos Correios faz-se por concurso. Os concursos não foram realizados quando deviam ser feitos e, depois, serviram para legalizar situações já existentes", afirmou.
Tomás Aquino alegou ainda que trabalhadores admitidos recentemente foram enquadrados em posições mais vantajosas do que funcionários com vários anos de serviço, situação que, no entender dos sindicatos, desvaloriza a experiência e o mérito profissional.
"Há trabalhadores que vão receber cerca de 500 contos em retroactivos referentes a seis meses, enquanto outros vão receber apenas 11 ou 12 contos. Isto demonstra que alguma coisa está errada neste processo. O plano era para fazer justiça social nos Correios, mas não foi isso que aconteceu", declarou.
O sindicalista chamou ainda a atenção do Governo para indicadores que podem pôr em causa a sustentabilidade da empresa.
Acrescentou que o ambiente entre os trabalhadores é de "muita insatisfação" e acusou o conselho de administração de recusar receber uma comissão de funcionários que pretendia obter esclarecimentos sobre o novo PCCS.
Os sindicatos garantiram que continuarão a recorrer a todos os mecanismos legais e institucionais para repor, segundo defenderam, a legalidade e a justiça e a confiança nas relações laborais nos Correios de Cabo Verde.
LN/AA
Inforpress/Fim
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