
Mindelo, 03 Set (Inforpress) – A Associação Ponta d’Pom anunciou hoje que registou 49 ninhos de tartarugas marinhas nas praias Grande e do Lazareto, em São Vicente, durante a actual temporada de monitorização, reforçando a importância destes espaços para a nidificação.
Conforme avançou à Inforpress a bióloga da organização responsável, em parte, pela protecção das tartarugas na ilha, Zuleica Duarte, a temporada “tem decorrido de forma positiva” e tem permitido à equipa recolher dados importantes sobre a presença e a nidificação das tartarugas marinhas nas praias monitorizadas.
Do total de 49 ninhos identificados, 37 estão localizados na Praia Grande e 12 na Praia do Lazareto.
Para a responsável, estes dados “mostram a importância destas praias como áreas de nidificação” e reforçam a necessidade da continuidade do trabalho de monitorização e protecção durante toda a temporada.
A associação Ponta d’Pom contabilizou, igualmente, 104 rastos de tartarugas marinhas, sendo 72 na Praia Grande e 32 no Lazareto.
Até agora, a equipa acompanhou 17 tartarugas marinhas.
Destas, 12 foram marcadas pela primeira vez e cinco foram recapturas, correspondendo a tartarugas que já tinham sido marcadas anteriormente.
Zuleica Duarte explicou que “a marcação e as recapturas permitem acompanhar melhor os indivíduos e obter dados sobre a utilização das praias ao longo do tempo”.
A informação recolhida através deste trabalho contribui para um melhor conhecimento dos movimentos e da presença das tartarugas nas praias acompanhadas pela associação.
A protecção das áreas de nidificação tem sido complementada com acções de limpeza.
Tanto assim é que no sábado, 29 de Agosto, a Ponta d’Pom realizou uma campanha na Praia do Lazareto, que contou com a participação de 25 voluntários.
Ao todo, avançou Zuleica Duarte, foram recolhidos 45 sacos de lixo, constituídos maioritariamente por plástico, sobretudo garrafas PET, e madeira.
“A presença destes resíduos nas praias representa uma preocupação, não apenas pelo impacto visual, mas também pelos riscos que podem representar para os animais marinhos e para o próprio ‘habitat’ de nidificação das tartarugas”, reiterou a bióloga.
Zuleica Duarte chamou a atenção que manter as praias limpas é fundamental para garantir melhores condições de nidificação.
"O lixo pode criar obstáculos às fêmeas que chegam à praia para colocar os ovos e representar riscos para as tartarugas no momento da eclosão", alertou.
A responsável sublinhou, por isso, que a conservação exige uma abordagem mais ampla.
“Não basta apenas monitorizar as tartarugas e os ninhos, é também necessário cuidar e proteger o ‘habitat’ onde estes animais se reproduzem", enfatizou.
LN/HF
Inforpress/Fim
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