
Mindelo, 20 Jul (Inforpress) – A coordenadora dos Campus de Matemática Gulbenkian em Cabo Verde sugeriu hoje, no Mindelo, aumentar o número de horas dedicadas ao ensino da Matemática, dar formação contínua aos professores e reforçar os materiais didáticos nas escolas.
Telma Silva falava à imprensa a propósito da abertura da sexta edição dos Campus de Matemática Gulbenkian destinada 30 alunos do 11.º ano das ilhas de Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal e Boa Vista, para a consolidação de conhecimentos e preparação para a universidade
Para a coordenadora, a metodologia aplicada no Campus de Matemática assenta-se num ensino dinâmico, interactivo e intuitivo, permitindo aos estudantes compreenderem os conceitos através de exemplos práticos antes da apresentação das definições e propriedades.
Segundo explicou, este método exige mais tempo de trabalho em sala de aula, razão pela qual considera insuficientes os actuais 50 minutos destinados à disciplina nas escolas.
“No campo, as aulas têm, no mínimo, uma hora e meia e trabalhamos poucos conteúdos por sessão para que os estudantes tenham tempo para compreender, assimilar e consolidar os conhecimentos”, afirmou.
Conforme a coordenadora, além do aumento da carga horária, é necessário equipar as escolas com materiais didáticos adequados. Por isso, pediu a criação de laboratórios de Matemática para incentivar os professores a produzirem os seus próprios recursos, em parceria com docentes de Educação Artística.
“Nem sempre os materiais são caros. Muitas vezes podem ser produzidos nas próprias escolas e ajudam a tornar a matemática mais visível e palpável para os alunos”, sublinhou.
Outra prioridade é a formação contínua dos professores, a nível das práticas pedagógicas e da actualização científica dos conteúdos. Na sua perspectiva, os docentes necessitam de acompanhamento permanente para conseguirem aplicar metodologias mais dinâmicas e responder às exigências dos novos programas.
“Temos três pilares fundamentais, tais como aumentar o número de horas para ensinar matemática, equipar as escolas com materiais adequados e formar continuamente os professores, tanto na componente didática como científica”, afirmou.
Contudo, Telma Silva reconheceu que há avanços no sistema educativo cabo-verdiano, casos da reforma curricular da disciplina e a elaboração dos novos manuais escolares, que considerou estarem “ao nível dos utilizados em Portugal”.
Advertiu, no entanto, que a implementação dos novos programas depende da preparação dos professores.
“Os programas e os manuais são excelentes, mas se os professores não forem acompanhados através de formação contínua, será difícil colocá-los em prática. Temos docentes com muitos anos de serviço que precisam actualizar conhecimentos e metodologias”, observou.
A sexta edição dos Campus de Matemática Gulbenkian é financiada pela Fundação Calouste Gulbenkian, de Portugal. As actividades presenciais decorrem em duas fases: a primeira etapa realizou-se na cidade da Praia, de 13 a 17 de Julho, e a segunda decorre no Mindelo, de 20 a 24 de Julho.
CD/CP
Inforpress/Fim
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