São Vicente/Baía das Gatas: Terceira noite viaja do Carnaval do Mindelo ao reggae africano

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São Vicente/Baía das Gatas: Terceira noite viaja do Carnaval do Mindelo ao reggae africano
09/08/26 - 09:40 am

Mindelo, 08 Ago (Inforpress) – A terceira noite da 42.ª edição do Festival da Baía das Gatas percorreu os ritmos do Carnaval do Mindelo, passou pelo rap e música urbana cabo-verdiana e terminou com o reggae africano de Tiken Jah Fakoly.

A noite começou com Edson Oliveira, Gai, Anísio Rodrigues e Constantino Cardoso, vozes ligadas ao Carnaval do Mindelo, que levaram ao palco do festival ritmos e interpretações associados à festa que marca o calendário cultural de São Vicente.

O porta-voz do grupo, Anísio Rodrigues, considerou motivo de orgulho actuar no maior palco de música de Cabo Verde e defendeu a valorização do Carnaval de São Vicente e da música produzida no âmbito desta manifestação cultural.

“Vir para a Baía das Gatas, para os artistas, é uma forma de valorizar o nosso trabalho, apesar de a música do Carnaval de São Vicente ser tocada durante o ano inteiro”, afirmou.

Sobre a reacção do público, reconheceu que começou de forma tímida, mas ganhou força com a entrada dos restantes artistas. Referiu ainda a ausência, este ano, das bailarinas que, segundo explicou, costumam contribuir para a animação do espectáculo.

A programação prosseguiu com Hélio Batalha, na sua estreia a solo no Festival Internacional da Baía das Gatas, apresentando temas do seu percurso no rap crioulo e na música urbana cabo-verdiana.

O artista interpretou músicas como “Karta D’Alforria”, “Di Cairo a Cabo”, “O Ki Fomi Txiga”, “Dexam Bua” e “Abensuadu”, além de temas do álbum “Testamentu”, lançado em Março deste ano.

Hélio Batalha disse que esta participação teve um significado especial por se tratar da sua primeira actuação a solo no festival, depois de uma passagem anterior integrada num projecto que reunia vários rappers e artistas.

“Este teve um sabor especial porque foi um show somente meu. Chegar a São Vicente foi sempre um prazer, porque sou muito bem recebido, os shows são sempre cheios e o pessoal me dá bom carinho”, afirmou.

O rapper destacou ainda o crescimento do rap crioulo e a abertura dos festivais nacionais para os artistas deste género.

“O rap crioulo já teve um avanço enorme. Hoje os festivais em Cabo Verde estão a abrir portas para os jovens rappers, mas temos que valorizar cada vez mais o rap crioulo, porque é um movimento grande e bonito”, defendeu.

Garry foi o artista seguinte, numa actuação que percorreu a kizomba, o afro-pop e outras sonoridades da música urbana cabo-verdiana.

Na sua estreia na Baía das Gatas, o cantor apresentou temas do álbum “100% Mi” e músicas como “Passada” e “À Deriva”, além de “Nha Preta”, interpretada em colaboração com Hélio Batalha. 

O seu show também foi aproveitado para um pedido de casamento protagonizado por dois jovens. 

No final da actuação, Garry disse que a participação representou uma das maiores emoções da sua carreira.

“Baía foi sem sombra de dúvidas uma das maiores emoções que já senti. Segurei para não chorar, algumas vezes chorei, tremi do início até ao fim do show. Não tenho palavras”, afirmou.

O cantor explicou que, depois do espectáculo, desceu do palco para junto do público para abraçar e cumprimentar os espectadores, como forma de retribuir o carinho recebido.

Garry destacou também o facto de esta edição homenagear a Selecção Nacional de Futebol, considerando especial participar num festival dedicado aos Tubarões Azuis.

“Não há artista cabo-verdiano que recuse o palco da Baía das Gatas”, afirmou, manifestando a expectativa de voltar ao festival em futuras edições.

A noite terminou com Tiken Jah Fakoly, que regressou ao palco da Baía das Gatas cerca de 20 anos depois da sua última actuação no festival.

O músico costa-marfinense, que já tinha actuado na Baía das Gatas em 2002 e 2006, apresentou o seu reggae ligado às raízes africanas e a temas sociais.

Conhecido pela intervenção política através da música, Tiken Jah Fakoly aborda nas suas canções questões relacionadas com o colonialismo, a corrupção e as injustiças sociais.

A sua actuação encerrou uma noite que cruzou o Carnaval do Mindelo, o rap e a música urbana cabo-verdiana com o reggae africano.

A 42.ª edição do Festival Internacional da Baía das Gatas termina hoje, com actuações de Black Side, Lisandro Cuxi e MC Cabelinho.

Este ano, o festival homenageia a Selecção Nacional de Futebol pela sua prestação no Mundial de Futebol de 2026.

CD/CP

Inforpress/Fim

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