
São Tomé, 28 Set (Inforpress) – O Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) conquistou mais 367 votos do que a Acção Democrática Independente (ADI) nas eleições legislativas de domingo, avançou hoje a Comissão Eleitoral Nacional (CEN).
Em conferência de imprensa para divulgar os resultados preliminares, o presidente da CEN, Jeudiger do Nascimento, recusou avançar o número de mandatos conquistados pelos partidos nos respetivos círculos eleitorais, afirmando que esta é uma competência do Tribunal Constitucional (TC).
O TC demorou cerca de uma semana a validar os resultados nas presidenciais de Julho.
Um par de horas antes, o líder do MLSTP já declarara vitória, também durante uma conferência de imprensa, na qual Américo Barros anunciou para o início da tarde uma passeata nas ruas da capital para celebrar a conquista, 24 anos depois de ter sido a formação política mais votada numas legislativas.
Na conferència de imprensa, o presidente do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP) declarou-se vencedor das eleições legislativas de domingo com mais de 26 eleitos e prometeu não dececionar o povo, aguardando o anúncio oficial e transparente dos resultados.
“Quero agradecer ao povo de São Tomé e Príncipe por ter dado este voto de confiança ao MLSTP. Não vamos dececionar o nosso povo”, declarou Américo Barros, na sede do partido, em Riboque, na capital são-tomense.
“Os resultados apontam que o MLSTP estava mesmo a roçar uma maioria absoluta”, referiu o líder do MLSTP, que não vence eleições em São Tomé e Príncipe há mais de 24 anos.
Na presença de alguns militantes e dirigentes do partido, Américo Barros prometeu que vai cumprir todas as promessas feitas durante a campanha eleitoral e não dececionar o povo.
“Tudo que constituiu o programa do MLSTP, a nossa visão estratégica de transformação económica e social do país, visando eficiência e resultado, tudo faremos com a contribuição de todos”, declarou Barros.
Durante a campanha, Américo Barros fez várias promessas, sobretudo na área social, incluindo o aumento do número de beneficiários do programa de apoio às famílias vulneráveis de cinco mil para 25 mil famílias, instituição do acesso gratuito às universidades, atribuição de cartas de condução gratuitas a cerca de sete mil jovens mototáxis.
O líder do MLSTP prometeu também o combate à corrupção, “Governo de ficha limpa”, com quadros competentes e com pessoas que não são do MLSTP.
Durante a declaração de hoje, prometeu começar a trabalhar e avisou o atual primeiro-ministro que o Governo atual “está em gestão” e que “tudo que envolve o país em termos [de contratos] estruturantes: o Governo, as direções públicas, devem suspender até que o outro Governo tome posse”.
“Esperamos tanto da Comissão Eleitoral como do Tribunal Constitucional uma transparência total relativamente ao apuramento dos resultados. Quero deixar claro que, a partir de hoje, as instituições públicas terão que funcionar com maior lealdade e maior transparência possível”, referiu.
Américo Barros declarou que foi felicitado hoje telefonicamente pelo atual primeiro-ministro e líder da Ação Democrática Independente (ADI), Américo Ramos, pelo presidente do Movimento Basta, Levy Nazaré, e do Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM), Moisés Viegas.
O MLSTP agendou um cortejo de vitória durante à tarde.
Às eleições legislativas, autárquicas e regional em São Tomé e Príncipe concorreram quatro partidos com assento parlamentar: Ação Democrática Independente (ADI); Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP); a coligação Movimento Cidadão Independente/Partido de Unidade Nacional (MCI-PUN); e o Movimento Basta.
Outros três partidos sem assento parlamentar também foram a votos: o Partido de Convergência Democrática (PCD), o Movimento Democrático Força da Mudança (MDFM) e o recém-criado Movimento Político Nossa Terra.
Nas legislativas estão em disputa 55 assentos da Assembleia Nacional e estão inscritos 146.929 eleitores, mais quase quatro mil eleitores em relação às eleições presidenciais de 19 de julho, quando foi reeleito Carlos Vila Nova, à primeira volta, registando-se então uma abstenção de 58,81%.
Inforpress/Lusa
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