
João Teves, 22 Jun (Inforpress) –Os bombeiros e a Protecção Civil de São Lourenço dos Órgãos denunciaram hoje a falta de condições de trabalho, escassez de equipamentos e ausência de melhorias salariais, admitindo recorrer à greve caso as reivindicações continuarem sem resposta.
Em declarações à imprensa, o porta-voz da corporação, Elvis Cunha, afirmou que esta situação “compromete seriamente a capacidade de resposta” da instituição em casos de emergência, colocando em risco tanto os profissionais como a população.
Segundo explicou, a corporação não dispõe actualmente de uma ambulância operacional, uma vez que a viatura se encontra avariada há cerca de 15 dias, sem uma previsão para a sua reparação.
“Trabalhamos praticamente sem meios. Não temos materiais para primeiros socorros, nem equipamentos adequados para o combate a incêndios. Em muitos casos, dependemos de uma viatura ‘pick-up’, disponibilizada pela camara municipal apenas a partir das cinco horas da tarde”, afirmou.
“Se ocorrer um acidente grave, não temos como prestar um socorro rápido e eficaz. Corremos o risco de não chegar a tempo para salvar uma vida humana, não por falta de vontade, mas por falta de condições”, lamentou.
A corporação conta apenas três efectivos por turno, num regime de trabalho de 24 horas seguidas por 48 horas de descanso, número considerado insuficiente para garantir uma resposta adequada às ocorrências registadas no concelho.
Entre as necessidades mais urgentes apontadas pelos bombeiros figuram equipamentos de protecção individual, máscaras de oxigénio, materiais de combate a incêndios, equipamentos de primeiros socorros e meios de transporte apropriados para operações de salvamento.
Os profissionais reivindicam igualmente melhorias salariais, alegando que bombeiros de outros municípios já beneficiaram de actualizações remuneratórias, enquanto em São Lourenço dos Órgãos a situação permanece inalterada.
Questionado sobre a possibilidade de paralisação, Elvis Cunha afirmou que os bombeiros privilegiam o diálogo, mas advertiu que a greve não está descartada caso não sejam criadas condições de trabalho dignas e não haja avanços em matéria salarial.
Os bombeiros defendem ainda que a população tem o direito de conhecer a realidade enfrentada pelos profissionais da Protecção Civil e apelam às autoridades competentes para reforçarem, com urgência, os meios disponíveis, de forma a garantir um serviço de socorro eficiente e seguro.
Contactada pela Inforpress, a Câmara Municipal de São Lourenço dos Órgãos informou, através da vereadora, Ilizita Fonseca, que assegura interinamente as funções do presidente, que o edil se encontra fora do país.
A responsável adiantou que o executivo municipal irá contactá-lo e pronunciar-se posteriormente sobre as reivindicações apresentadas pelos bombeiros.
MC/AA
Inforpress/Fim
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