São Filipe: Medo do julgamento social ainda trava jovens na testagem de IST – enfermeira

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São Filipe: Medo do julgamento social ainda trava jovens na testagem de IST – enfermeira
28/04/26 - 03:36 pm

São Filipe, 28 Abr (Inforpress) – O medo do julgamento social é um dos principais obstáculos à realização de testes de despistagem das IST entre os jovens, alertou hoje a enfermeira Vanessa Besna, defendendo maior reforço na sensibilização e na garantia de confidencialidade.

Dados mais recentes estimam que a prevalência de VIH em Cabo Verde ronda cerca de 0,9 por cento (%) na população entre 15 e 49 anos, um nível moderado em comparação com a média mundial, que em 2022 era de 1,66%.

Apesar destes números nacionais, a testagem às infecções sexualmente transmissíveis (IST) entre jovens ainda é insuficiente em muitas zonas do país, inclusive na ilha do Fogo, onde ainda não existem estatísticas oficiais desagregadas por município ou faixa etária.

Em declarações à Inforpress, à margem da Feira de Negócios e Saúde, no Alto de São Pedro, a profissional explicou que, apesar da crescente adesão às campanhas móveis de testagem, muitos jovens ainda demonstram receio de procurar os serviços de saúde por temerem comentários ou exposição pública.

“Alguns jovens têm medo do que as pessoas vão pensar. Há ainda muito estigma associado a esses testes”, afirmou.

Segundo a enfermeira, quando as equipas saem para o terreno, seja em feiras, bairros ou comunidades consideradas mais vulneráveis, a adesão tende a aumentar, precisamente por se tratar de um ambiente mais próximo e menos formal do que as estruturas fixas de saúde.

A gratuidade dos testes de VIH e sífilis (VDRL), bem como o aconselhamento pré e pós-teste, são assegurados pela equipa, que reforça a confidencialidade como princípio fundamental do atendimento.

“Desde o momento do aconselhamento até à entrega do resultado, tudo é tratado com total sigilo”, garantiu.

Vanessa Besna sublinhou que o combate às IST na ilha do Fogo não se limita a acções pontuais, integrando um programa regular de saídas às comunidades, com realização de testes, actividades de educação para a saúde e encaminhamento para acompanhamento clínico sempre que necessário.

A profissional apelou ainda à realização voluntária e periódica dos testes, sobretudo em situações de início de um novo relacionamento, mudança de parceiro ou suspeita de exposição ao risco, defendendo que a prevenção e o diagnóstico precoce são determinantes para conter a propagação das infecções.

KA/HF

Inforpress/Fim

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