
Ribeira Grande, 21 Ago (Inforpress) – A 12.ª edição do Festival de Violino Nhô Kzik transforma hoje Ponta do Sol num ponto de encontro entre gerações, com homenagem aos emigrantes e reforça a memória do violinista que dá nome ao evento.
O vereador da Cultura da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Pedro da Luz, disse à Inforpress que a organização preparou esta edição com a ambição de reafirmar o festival como um dos principais momentos culturais do concelho e como espaço de valorização de uma tradição musical profundamente ligada à identidade de Santo Antão.
“Estamos perante um dos momentos culturais mais importantes da Ribeira Grande”, afirmou o autarca, que antevê um espectáculo assente na diversidade de gerações e proveniências, mas com um elemento comum, o violino e a música cabo-verdiana.
O palco vai reunir músicos de Santo Antão, São Vicente e Sal, além de um representante da diáspora, numa composição que, segundo Pedro da Luz, pretende evidenciar a vitalidade desta tradição e a capacidade de se renovar sem perder as raízes.
“Do Sal chegam Patone e Tchinim Brito, enquanto São Vicente estará representado por José Cruz, conhecido como Zézim, e pelos irmãos Priscila Ramos e Ilídio Júnior Ramos, naturais do concelho da Ribeira Grande”, disse.
Segundo a mesma fonte, Santo Antão apresenta Djô d’Kunin, Domingos Costa e Joaquim Delgado, aos quais se junta Calu Fonseca, residente em França, cuja presença simboliza a ligação do festival à emigração cabo-verdiana.
Para Pedro da Luz, esta diversidade transforma o cartaz num encontro que ultrapassa a simples sucessão de actuações musicais.
A mesma fonte considerou que o festival deve contribuir igualmente para aproximar os mais jovens das tradições musicais da ilha.
“A edição deste ano assume ainda uma dimensão particular por ser dedicada aos emigrantes, numa altura em que muitos cabo-verdianos regressam a Santo Antão para férias e reencontro com as famílias e comunidades de origem”, afirmou.
O vereador recordou que o Festival de Violino esteve, desde as primeiras edições, ligado a esse período de regresso da diáspora, razão pela qual a organização decidiu reforçar esse vínculo.
“Costumamos dizer que a nossa diáspora é a nossa 11.ª ilha”, declarou Pedro da Luz, para quem os emigrantes desempenham um papel essencial na preservação e divulgação da música, língua, tradições e valores cabo-verdianos nos países de acolhimento.
A homenagem, acrescentou, pretende transmitir aos emigrantes a mensagem de que Ribeira Grande “continua a ser a sua casa” e reconhecer o contributo que continuam a dar para a afirmação da identidade cabo-verdiana além-fronteiras.
Outra das marcas da 12.ª edição será a homenagem directa a Nhô Kzick, cuja memória estará presente não apenas no palco, mas também através da inauguração de um mural artístico na sua casa.
A obra, da autoria do artista plástico Délio Leite, foi concebida para perpetuar a memória e o legado do violinista no espaço associado à sua história e à sua ligação ao instrumento.
Segundo Pedro da Luz, a intenção é fazer com que o festival seja cada vez mais um espaço de preservação da memória cultural e não apenas um espectáculo musical anual.
“Queremos que seja um momento de encontro, de partilha e de valorização da nossa cultura”, afirmou.
Pedro da Luz disse esperar uma forte participação do público e que a 12.ª edição fique marcada como uma celebração da música, da memória e da identidade cabo-verdiana.
LFS/AA
Inforpress/Fim
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