
Ribeira Grande, 13 Abr (Inforpress) – Agricultores e proprietários da zona de Caibros, Ribeira Grande, Santo Antão, denunciaram hoje o estado de abandono de várias infraestruturas agrícolas do Estado, alertando para riscos na segurança e prejuízos na produção.
Na localidade de Morgoso, o agricultor e proprietário Bernardo Gomes afirmou à Inforpress que os problemas remontam a 2015, na sequência da tempestade Fred, e que, desde então, o Ministério da Agricultura e Ambiente “não realizou qualquer intervenção” nas estruturas danificadas.
“Tenho tentado fazer algumas intervenções e até manifestei disponibilidade para colaborar, mas o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente na Ribeira Grande, tem de vir ao terreno avaliar a situação. Cabe ao Estado reparar o muro de protecção da levada, que é património público”, denuciou.
Segundo o agricultor, está em causa uma levada com 36 metros naquele troço, cujo muro de protecção ruiu dentro da sua propriedade, colocando em risco a segurança e dificultando o trabalho agrícola.
Bernardo Gomes adiantou que propôs ao Ministério da Agricultura e Ambiente a reconstrução do muro até uma altura de dois metros, comprometendo-se, posteriormente, a dar continuidade às obras na sua parcela.
A mesma fonte denunciou ainda que o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente na Ribeira Grande “negou categoricamente” deslocar-se ao local para avaliar a situação, lamentando a falta de resposta institucional.
“Sinto-me prejudicado em termos de segurança num espaço onde tenho vindo a trabalhar. Preciso de condições para dar continuidade ao meu trabalho e para que tudo fique devidamente organizado”, afirmou.
Segundo Bernardo Gomes, a levada de Comandante, construída em 1956 e com mais de 2.300 metros de extensão, apresenta sinais avançados de degradação, com várias minas em risco de obstrução, o que compromete o abastecimento de água para rega.
“Apesar de o Ministério da Agricultura e Ambiente ter disponibilizado tubos para minimizar os impactos, estes continuam por instalar, situação que agrava as perdas ao longo do percurso da água”, salientou.
Também o presidente da Associação de Agricultores de Caibros, Paulinho Brito, confirmou os constrangimentos, explicando que a organização tem suportado custos e realizado pequenas intervenções para mitigar os prejuízos.
“O apoio do Ministério da Agricultura e Ambiente limitou-se à entrega de cerca de 25 rolos de tubos, mas fomos nós que suportámos o transporte, num custo de 25 mil escudos. Os tubos estão no local há quase quatro anos à espera de instalação”, disse.
Segundo o responsável, as levadas sofrem ruturas frequentes durante períodos de cheia, ficando entupidas ou destruídas em alguns troços, o que compromete o escoamento da água.
Paulinho Brito alertou ainda para o desperdício significativo de água ao longo do trajecto, estimando que cerca de 20 por cento (%), não chega ao final da levada devido às perdas existentes.
“Há água suficiente para irrigar toda a zona até Ribeira Grande, mas grande parte perde-se pelo caminho. Muitos agricultores já investiram em sistemas de rega gota-a-gota, mas não conseguem avançar por falta de condições”, referiu.
Perante este cenário, Paulino Brito apelou “a uma intervenção urgente e concertada”, envolvendo o Estado, e os próprios agricultores e proprietários, de forma a garantir a reabilitação das infraestruturas e o aproveitamento eficiente dos recursos hídricos na região.
Por sua vez, o delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente na Ribeira Grande, Orlando Delgado, assegurou que a localidade de Caibros “nunca foi abandonada”, afirmando que os serviços têm realizado deslocações regulares e intervenções pontuais na zona.
Relativamente às infraestruturas, a mesma fonte indicou que o Ministério da Agricultura e Ambiente tem efectuado algumas reparações ao longo do tempo e esclareceu que os tubos disponibilizados à comunidade foram entregues no âmbito de um projecto em parceria com a associação local de agricultores.
Segundo Orlando Delgado, ficou acordado que a instalação dos tubos seria feita de forma conjunta entre técnicos do Ministério da Agricultura e Ambiente e os agricultores.
No entanto, segundo a mesma fonte, “por diversas vezes”, os técnicos deslocaram-se ao terreno sem que houvesse comparência de agricultores ou do presidente da associação.
O responsável sublinhou ainda que o projecto arrancou na mesma altura em localidades como Boca de Coruja, onde, segundo disse, houve maior envolvimento da comunidade, permitindo melhores resultados ao nível da gestão da água e da implementação da rega gota-a-gota.
“No caso de Caibros, o principal constrangimento tem sido a falta de participação”, afirmou.
Sobre as minas, Orlando Delgado referiu que o Ministério da Agricultura e Ambiente tem realizado várias intervenções de reparação, embora surjam novos problemas com alguma frequência, dada a complexidade das infraestruturas.
Sobre a captação na zona de Estritim, o delegado salientou que foi realizada uma intervenção profunda, que permitiu recuperar praticamente toda a estrutura de adução de água naquele ponto.
LFS/AA
Inforpress/Fim
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