
Assomada, 18 Jun (Inforpress) – O município de Santa Catarina não registou qualquer caso de dengue em 2026 e mantém-se há 11 anos sem casos autóctones de paludismo, resultado do trabalho contínuo de vigilância epidemiológica e combate aos vectores desenvolvido pelas autoridades sanitárias.
A informação foi veiculada hoje pelo coordenador de Saúde Pública da Delegacia de Saúde de Santa Catarina, José Maria Carvalho, à margem de uma formação online sobre vigilância de arbovírus na África Ocidental, destinada a técnicos de luta anti-vectorial a nível nacional.
Segundo o responsável, até ao momento, Santa Catarina não contabilizou qualquer caso de dengue nem de paludismo em 2026, incluindo casos importados.
Em 2025, precisou, foram registados alguns casos importados de paludismo, mas sem ocorrência de transmissão local.
José Maria Carvalho destacou que o município não regista casos autóctones de paludismo desde 2015, situação que atribuiu ao trabalho permanente das equipas de saúde, à dedicação dos profissionais e às acções de sensibilização desenvolvidas junto das comunidades.
No âmbito da formação, explicou que a iniciativa integra um projecto de vigilância de arbovírus na África Ocidental e visa reforçar os conhecimentos e as capacidades técnicas dos profissionais afectos à luta anti-vectorial a nível nacional, permitindo melhorar a resposta dos serviços de saúde perante eventuais surtos.
Segundo a mesma fonte, as equipas de luta anti-vectorial realizam diariamente actividades no terreno, nomeadamente pulverização domiciliária, identificação e eliminação de criadouros de mosquitos, com especial incidência nas zonas consideradas de maior risco, numa altura em que se aproxima a época das chuvas.
A principal preocupação, sublinhou, é impedir a ocorrência de infecções comunitárias associadas aos mosquitos, através da intensificação das medidas preventivas e do envolvimento das populações na eliminação de recipientes e outros locais propícios à proliferação dos vectores.
O coordenador de Saúde Pública aproveitou ainda para alertar a população para os efeitos nocivos das queimadas descontroladas, salientando que esta prática contribui para problemas ambientais, aumento do risco de incêndios e agravamento de doenças respiratórias devido à exposição ao fumo.
José Maria Carvalho lembrou que o mosquito Aedes aegypti, alvo das acções de vigilância e controlo desenvolvidas no município, é transmissor de doenças como dengue, zika, chikungunya e febre-amarela.
O paludismo é transmitido por mosquitos do género Anopheles, sendo a manutenção da vigilância epidemiológica considerada essencial para preservar os ganhos alcançados por Santa Catarina na prevenção destas doenças.
Cabo Verde foi certificado em 2024 pela Organização Mundial da Saúde como país livre do paludismo, após vários anos sem transmissão local sustentada, embora as autoridades sanitárias mantenham vigilância apertada devido ao risco de reintrodução da doença.
Quanto à dengue, o país enfrentou uma epidemia iniciada em 2023, com milhares de casos registados sobretudo na ilha de Santiago, mas os indicadores apontam para uma redução significativa da transmissão.
MC/AA
Inforpress/Fim
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