
Assomada, 04 Mar (Inforpress) – A localidade de Fonte Lima acolhe uma formação dedicada à preservação da cimboa, instrumento tradicional cabo-verdiano em risco de desaparecer, reunindo mestres e jovens num esforço para transmitir conhecimentos e garantir a continuidade desta herança cultural.
A formação técnica dedicada à produção artesanal da cimboa está a decorrer de 2 a 6 de Março, e reúne participantes interessados em aprender a fabricar e tocar o instrumento, numa iniciativa orientada pelo mestre Domingos Pascoal Fernandes.
Em declarações à imprensa, Fernandes considerou que este instrumento musical é o “mais antigo” existente no país e faz parte da identidade cultural cabo-verdiana e, segundo o formador, outrora esteve presente em várias ilhas, de Santo Antão à Brava, especialmente associada ao batuco.
Hoje, no entanto, o número de tocadores é reduzido, o que levanta preocupações quanto à continuidade desta tradição.
Domingos Pascoal Fernandes defende que é “urgente” despertar o interesse da juventude e aumentar a presença da cimboa nos palcos, para que o instrumento volte a ganhar visibilidade e reconhecimento.
Para o mestre, se houver oportunidades e espaço na música actual, o entusiasmo pode crescer entre as novas gerações.
O formador explicou ainda que a cimboa pertence à família dos instrumentos de arco, semelhante ao violino ou à rabeca, destacando a importância da resina aplicada na corda ou no arco para produzir o som.
Recordou, de forma bem-humorada, que a comparação entre a cimboa e a rabeca levanta a mesma dúvida da história da galinha e do ovo, numa referência à evolução dos instrumentos.
A mesma fonte acrescentou que instrumentos semelhantes existem em várias regiões do mundo, incluindo África, Médio Oriente e Ásia, apontando o exemplo do Erhu, na China.
Segundo relatou, músicos que dominam um desses instrumentos conseguem adaptar-se com relativa facilidade ao outro, tendo já vivido a experiência com um músico chinês em que trocaram os instrumentos e tocaram com facilidade.
Durante a formação, os participantes aprendem a construir o próprio instrumento, utilizando materiais como cabaça ou coco para a caixa de ressonância, pele de cabra para a membrana, madeira para o braço, crina de cavalo para a corda e arco, entre outros, reforçando o valor do saber artesanal.
Entre os formandos, Eli Brito destacou o interesse em explorar novas possibilidades musicais com a cimboa, incluindo a sua utilização em fusões com estilos modernos, enquanto Walter Pereira afirmou que decidiu participar para contribuir na preservação desta tradição e incentivar mais jovens a aproximarem-se do instrumento.
A iniciativa resulta de uma parceria entre o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas e o IPC (Instituto do Património Cultural), com apoio de parceiros internacionais, visando reforçar acções de salvaguarda do património cultural cabo-verdiano.
MC/ZS
Inforpress/Fim
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