Sal: Paralisação de hiaces no terminal dos Espargos deixa utentes sem alternativa após tentativa de aumento da tarifa

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Sal: Paralisação de hiaces no terminal dos Espargos deixa utentes sem alternativa após tentativa de aumento da tarifa
05/10/26 - 01:08 pm

Espargos, 05 Out (Inforpress) – Os condutores de transporte coletivo interurbano de passageiros de hiaces, no terminal dos Espargos, paralisaram hoje as actividades, após a intervenção das autoridades travar o aumento unilateral da tarifa Espargos-Santa Maria-Espargos de 120 para 150 escudos.

O aumento do preço da viagem tinha começado a ser aplicado logo pelas primeiras horas da manhã por vários condutores, justificando a medida com a "subida acentuada do preço dos combustíveis" e o aumento do custo de vida. 

Contudo, na sequência da intervenção da Polícia Municipal para repor a tarifa legalmente fixada, os condutores recusaram-se a circular pelo valor habitual de 120 escudos, desencadeando uma paralisação no terminal.

Em declarações à comunicação social, o condutor Diolandino da Luz argumentou que a classe "não aguenta mais" arcar com as sucessivas altas dos combustíveis e dos impostos, considerando que a receita actual não cobre os custos operacionais do veículo e a manutenção das viaturas.

"Nós não vamos suportar. Não podemos trabalhar apenas para deixar o dinheiro nos postos de combustível", lançou o condutor, que defendeu a necessidade de se fixar uma tarifa social ou de o Governo suspender temporariamente a taxa de manutenção rodoviária.

Na mesma linha, o condutor Jorge Batista lamentou a ação das autoridades policiais no terminal, garantindo que os próprios passageiros estavam a pagar os 150 escudos sem contestação.

"Recebi 150 escudos para vir de Santa Maria sem nenhum problema. O pessoal paga tranquilamente. O problema está só aqui porque a polícia veio intervir. Um hiace faz uma viagem e gasta quase metade da receita em combustível, não vale a pena trabalhar assim", afirmou Jorge Batista.

Por outro lado, a decisão dos condutores de aumentar o bilhete e a subsequente paralisação apanharam os passageiros de surpresa, criando fortes transtornos para quem necessita do transporte para chegar ao posto de trabalho em Santa Maria.

O utente Nelson Cruz compreendeu as dificuldades dos transportadores em relação à alta dos combustíveis, mas lembrou que os salários dos trabalhadores continuam congelados.

Nelson Cruz sugeriu a criação de um sistema de transporte público regulado na ilha, à semelhança do que acontece em São Vicente e em Santiago.

Por sua vez, a utente Ivanilda Ascensão defendeu que qualquer alteração de preços deve respeitar a legalidade e aguardar por uma decisão da Câmara Municipal Sal ou das entidades competentes.

Também o utente Malam Baldé expressou a sua preocupação com o impacto financeiro da medida no orçamento familiar e apelou à intervenção das autoridades locais para resolver o impasse.

"Nós queremos ir trabalhar. Pago 150 escudos para ir e vir e no fim do mês vai uma grande parte do salário. Pedimos à câmara que nos ajude a resolver esta situação", apelou.

A Inforpress contactou o vereador responsável pela área dos Transportes da Câmara Municipal do Sal para obter um esclarecimento sobre o impasse e as medidas previstas pela autarquia, mas até ao momento não foi possível obter uma reação.

NA/AA

Inforpress/Fim

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