
Santa Maria, 14 Jul (Inforpress) – O deputado do PAICV pelo Sal afirmou hoje que a morte de um cidadão irlandês, de origem cabo-verdiana, não pode ser vista como caso isolado, por expor a “crescente insegurança e abandono” na principal cidade turística do país.
Falando numa conferência de imprensa realizada na pedonal de Santa Maria, Démis Almeida, afirmou que a ilha do Sal e, em particular, a sociedade santa-mariense continuam “chocadas” com o crime violento que vitimou o cidadão estrangeiro, na semana passada em Santa Maria, agredido com cadeiras, socos e pontapés em plena via pública.
Para o deputado do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV-oposição), o episódio insere-se num contexto mais amplo de actos recorrentes de incivilidade, incluindo confrontos entre grupos rivais, furtos, roubos, assédio e perturbações da ordem pública.
O deputado apontou como principal causa desta situação a falta de efectivos, meios e equipamentos da Polícia Nacional, sublinhando que o actual número de agentes é “insuficiente” para responder à complexidade social e criminal de Santa Maria.
Acrescentou que existem também “carências significativas” ao nível de viaturas, motos e outros meios de mobilidade, essenciais para a vigilância de uma cidade com um extenso litoral e uma das maiores praias do país.
“Há um déficit grande de agentes da Polícia Nacional que não conseguem fazer face à complexidade criminal existente nesta cidade. Há um déficit também enorme de meios, de materiais, de recursos e de equipamentos da Polícia Nacional, nomeadamente meios de mobilidade, capazes de demandar o litoral desta cidade”, denunciou.
Démis Almeida criticou ainda a inexistência de uma célula da Polícia Judiciária em Santa Maria, bem como a “deficiente” iluminação pública, com vários postos de luz sem lâmpadas, factores que, segundo disse, contribuem para o aumento da insegurança.
Referiu igualmente a limitações da Polícia Municipal, que, “por falta de recursos humanos”, não consegue dar resposta eficaz aos “frequentes ataques” à ordem pública.
Para a mesma fonte, a situação configura um “manifesto abandono” de Santa Maria em matéria de autoridade administrativa.
“A cidade recebe mais de 720 mil turistas por ano e em períodos de alta procura, como a passagem de ano, os hotéis e resorts operam com lotação completa, o que torna “inaceitável” a actual fragilidade ao nível da segurança e da gestão urbana”, continuou.
Além da questão policial, Démis Almeida enumerou outros problemas que, no seu entender, afectam “negativamente” a imagem do destino turístico, como o assédio persistente a turistas por comerciantes ambulantes, a presença descontrolada de animais na cidade e a falta de uma entidade responsável pela gestão da praia de Santa Maria.
O parlamentar defendeu ainda que, sem uma intervenção imediata das autoridades nacionais e municipais, “Cabo Verde corre o risco de comprometer a sustentabilidade do seu principal destino turístico”, que classificou como uma “galinha dos ovos de ouro” para a economia nacional.
Neste sentido, apelou ao Governo e à Câmara Municipal do Sal para que “assumam as suas responsabilidades”, defendendo o reforço urgente do número de agentes policiais, bem como a disponibilização dos meios e equipamentos necessários.
Démis Almeida frisou que as críticas não se dirigem aos profissionais da Polícia Nacional no Sal, mas sim ao Ministério da Administração Interna e ao Governo, que, segundo afirmou, não têm dotado Santa Maria dos recursos adequados.
Concluiu, defendendo que a segurança, enquanto factor determinante da qualidade de um destino turístico, deve voltar a “ocupar um lugar central nas políticas públicas” para Santa Maria, de modo a prevenir crimes graves e garantir baixos níveis de criminalidade na cidade.
NA/ZS
Inforpress/Fim
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