Reedição de léxico de Armando Napoleão Fernandes defendida por familiares e estudiosos

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Reedição de léxico de Armando Napoleão Fernandes defendida por familiares e estudiosos
20/06/26 - 12:58 pm

Cidade da Praia, 20 Jun (Inforpress) - Cabo Verde recorda Armando Napoleão Fernandes e cresce o apelo à reedição do seu léxico do crioulo, obra publicada postumamente em 1991, com mais de cinco mil entradas, considerada referência linguística e cultural cabo-verdiana, hoje.

O investigador e estudioso da língua cabo-verdiana Armando Napoleão Fernandes, autor de uma das mais importantes compilações lexicais do crioulo de Cabo Verde, voltou a ser lembrado por familiares e estudiosos, que defendem a reedição da sua principal obra, actualmente esgotada.

Publicado em 1991, 22 anos após a morte do autor, o Léxico do Dialecto Crioulo do Arquipélago de Cabo Verde reúne mais de cinco mil palavras e expressões recolhidas em várias ilhas, constituindo um dos mais extensos registos da língua crioula cabo-verdiana do século XX.

A propósito dos 57 anos da morte de Armando Napoleão Fernandes, assinalados na quinta-feira, o jornalista Carlos Gonçalves destacou a importância do trabalho do investigador, sublinhando que a obra permanece pouco conhecida do grande público, apesar do seu valor linguístico e cultural.

De acordo com informação biográfica divulgada pela família, Armando Napoleão Fernandes nasceu a 01 de Julho de 1889, na ilha Brava, tendo posteriormente fixado residência em Santa Catarina, na ilha de Santiago, onde desenvolveu grande parte da sua atividade profissional e intelectual.

Para além do estudo do crioulo, dedicou-se a actividades como fotografia, carpintaria e sapataria, dominava as línguas inglesa e francesa e exerceu funções de solicitador, tendo colaborado também com a administração local.

A obra lexicográfica foi publicada por iniciativa da filha Ivone Aida Lopes Rodrigues Fernandes Ramos, que preservou os manuscritos deixados pelo pai. Entre os seus descendentes destaca-se a escritora cabo-verdiana Orlanda Amarílis.

Defensores de uma nova edição consideram que o livro mantém relevância académica e patrimonial, por documentar vocabulário, expressões e práticas culturais registadas entre o início do século XX e as décadas de 1940 e 1950, muitas das quais desapareceram ou sofreram alterações.

Em reconhecimento do seu contributo para a cultura cabo-verdiana, o seu nome foi atribuído, em 2008, à Escola Secundária Armando Napoleão Fernandes, em Achada Falcão, no concelho de Santa Catarina.

Armando Napoleão Fernandes morreu, na cidade da Praia, em 19 de Junho de 1969, aos 79 anos.

JMV/AA

Inforpress/Fim

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