Cidade da Praia, 25 Set (Inforpress) – O representante-residente do escritório conjunto do PNUD, UNFPA e UNICEF defendeu hoje o reforço da prevenção, da coordenação entre instituições e da participação das crianças e adolescentes na construção de respostas de protecção mais eficazes.
Ao intervir no segundo encontro nacional dos Parceiros do Sistema de Protecção da Criança e do Adolescente, realizada na cidade da Praia, David Matern destacou os 44 anos de trajectória do Instituto Cabo-verdiano da Criança e do Adolescente (ICCA) e o contributo da instituição para o fortalecimento do sistema nacional de protecção.
David Matern defendeu uma mudança de abordagem no sistema de protecção da criança e do adolescente, passando de uma resposta centrada nos casos já identificados para uma intervenção assente na prevenção e no fortalecimento das famílias.
Segundo o responsável, os desafios actuais exigem respostas integradas, tendo em conta fenómenos como o cyberbullying, a ansiedade digital, o aliciamento online e os impactos das alterações climáticas na vida das crianças e adolescentes.
“A violência digital está a causar graves problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes”, alertou, sublinhando que estes riscos “cruzam-se, acumulam-se e exigem respostas integradas e urgentes”.
Para David Matern, nenhuma instituição consegue responder isoladamente aos desafios da protecção infantil, sendo necessário reforçar o trabalho em rede, com mecanismos permanentes de coordenação, partilha de informação, encaminhamento adequado dos casos e tomada conjunta de decisões.
“Trabalhar em rede não significa apenas reunir diferentes instituições em torno de uma mesa. Significa construir mecanismos efectivos de coordenação”, afirmou.
O representante do UNICEF destacou ainda a necessidade de reforçar a transição de uma abordagem centrada na resposta para uma abordagem preventiva, bem como fortalecer as famílias enquanto primeiro espaço de protecção das crianças.
Apontou igualmente como prioridades o reforço dos recursos humanos e institucionais do ICCA, a preparação das equipas técnicas para responder aos novos riscos, a integração da saúde mental infantil nas respostas de protecção e a criação de mecanismos especializados para prevenir a violência sexual e os abusos no ambiente digital.
David Matern defendeu também uma maior participação das crianças e adolescentes nas decisões que lhes dizem respeito, considerando que as suas experiências e opiniões devem contribuir para a construção de respostas mais inclusivas e eficazes.
“As vossas opiniões importam, as vossas experiências contam, as vossas ideias ajudam a construir respostas mais justas, mais inclusivas e mais eficazes”, disse, dirigindo-se às crianças e adolescentes presentes no encontro.
No âmbito dos 44 anos do ICCA, o responsável reiterou o compromisso do UNICEF em continuar a apoiar as autoridades cabo-verdianas na protecção das crianças e das famílias.
“O verdadeiro marco será o dia em que nenhuma criança em Cabo Verde vai precisar de ser retirada das suas famílias”, afirmou, defendendo que os 44 anos da instituição devem representar “um compromisso renovado com o futuro”.
CG/HF
Inforpress/Fim
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