
Cidade da Praia, 29 Out (Inforpress) - O coordenador do curso de Tradução e Interculturalidade da UniPiaget, José Carlos Gonçalves, pediu hoje a adaptação dos tradutores e intérpretes à Inteligência Artificial (IA), sem perder de vista a ética, a cultura e a sensibilidade humana.
A posição foi manifestada na cidade da Praia durante o workshop “Os desafios da tradução e interpretação nos tempos modernos: tecnologia, inteligência artificial, ética e o futuro da profissão”, realizado naUniversidade Jean Piaget (UniPiaget), que debateu o impacto da evolução tecnológica no sector.
Segundo José Carlos Gonçalves, as novas ferramentas tecnológicas permitem automatizar parte das tarefas de tradução e interpretação, mas não substituem integralmente a intervenção humana, sobretudo na compreensão dos contextos culturais e das particularidades da comunicação.
“Não é que as novas tecnologias irão substituir o tradutor na sua totalidade, mas o tradutor terá que levar em conta que terá que adaptar”, afirmou, sublinhando que acompanhar as mudanças tecnológicas é essencial para responder às exigências do mundo actual.
A mesma fonte reconheceu que a AI já assume algumas actividades tradicionalmente desempenhadas pelos profissionais da área, mas afastou a possibilidade de desaparecimento da profissão.
Destacou, neste sentido, que continua a existir procura por tradutores e intérpretes e que os diplomados formados pela UniPiaget têm conseguido colocação no mercado de trabalho.
“O tradutor e o intérprete não vão acabar”, declarou, e reforçou que a tecnologia pode auxiliar e complementar o trabalho humano, mas não reproduz plenamente a sensibilidade, os valores culturais e a capacidade de compreender os diferentes contextos sociais.
Na dimensão ética salientou que a comunicação entre pessoas de diferentes línguas e culturas exige mais do que a execução automática de tarefas, e uma utilização das novas tecnologias que respeitem os valores humanos e as necessidades da sociedade contemporânea.
Por sua vez, o vice-reitor da UniPiaget, Wilson Pereira, alertou para a necessidade de utilizar a IA com ética, profissionalismo e respeito pela confidencialidade. Defendeu igualmente a verificação da qualidade das traduções e interpretações produzidas com recurso a estas ferramentas.
“Essa utilização tem de ser utilizada de forma com a ética, o profissionalismo, e também uma parte de confidencialidade”, afirmou, realçando a responsabilidade dos profissionais na utilização da tecnologia.
Considerou ainda que o workshop constitui uma oportunidade para a reflexão, partilha de experiências e construção de ideias sobre o presente e o futuro da tradução e da interpretação.
A iniciativa destacou a importância de conciliar inovação tecnológica, rigor profissional e responsabilidade humana numa área fundamental para o diálogo intercultural, a cooperação internacional e a circulação do conhecimento.
CG/AA
Inforpress/Fim
Partilhar