Ucrânia: Europa e EUA devem aumentar pressão para Moscovo negociar

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Ucrânia: Europa e EUA devem aumentar pressão para Moscovo negociar
17/06/26 - 08:00 am

Lisboa, 17 Jun (Inforpress) – O chefe da diplomacia portuguesa defendeu hoje a necessidade de os países europeus e os Estados Unidos “aumentarem a pressão sobre a Rússia” para negociar, lamentando os “sinais negativos” dos ataques russos contra a Ucrânia nos últimos dias. 

“A pressão sobre a Rússia tem de ser aumentada designadamente por parte dos países europeus, mantendo aquela que tem sido a sua linha e reforçando, e aí um novo pacote de sanções é importante”, considerou Paulo Rangel, em declarações aos jornalistas à margem de um encontro com o homólogo saudita, Faisal Bin Farham Al Saud, em Lisboa.

Rangel salientou que “os Estados Unidos (EUA) também têm aqui um papel importante”, tal como outros países, como Noruega e Canadá, que têm tido um papel ativo. 

“As hostilidades que a Rússia tem demonstrado nos últimos dias e em particular, recentemente, ao atingir uma catedral [da Dormição], que tem um papel histórico fundamental na identidade ucraniana e até na identidade ortodoxa em geral, obviamente são sinais negativos”, lamentou. 

Para Rangel, “é essencial” procurar “uma saída para um conflito que é altamente injusto para o povo ucraniano, mas traz sofrimento a todos, incluindo ao povo russo”. 

O chefe da diplomacia portuguesa insistiu que “é fundamental” que os países europeus “tenham uma palavra a dizer” sobre o fim do conflito, quer para a reconstrução da Ucrânia quer para ter “um acordo de todos os parceiros europeus para ter uma nova forma de relacionamento com a Rússia, que respeite, obviamente, o Direito Internacional e em que esta agressão injusta e grave não seja suscetível de ser repetida”. 

Os líderes das sete economias mais desenvolvidas (G7), incluindo o Presidente norte-americano, Donald Trump, reafirmaram hoje o apoio à soberania da Ucrânia e concordaram que a Rússia deve ser pressionada para negociar o fim da guerra, incluindo através de novas sanções.

Segundo fontes diplomáticas francesas, no final da sessão da cimeira do G7 dedicada à Ucrânia, que está a decorrer na cidade francesa de Evian, essa pressão poderá passar por novas medidas contra as exportações petrolíferas russas, uma vez reaberto o estreito de Ormuz, cuja interrupção condicionou recentemente os mercados energéticos internacionais.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, participou na reunião como convidado e ouviu dos líderes do G7 uma reafirmação do apoio político e militar à Ucrânia.

De acordo com fontes francesas, Trump felicitou Zelensky pela evolução recente do conflito, considerando que as forças ucranianas já não se encontram numa posição de recuo e que a atual dinâmica militar é mais favorável a Kiev.

Os líderes dos Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá partilharam a avaliação de que esta mudança de contexto reforça a posição negocial da Ucrânia.

Um novo encontro bilateral entre Trump e Zelensky deverá decorrer ainda durante a cimeira, que termina na quarta-feira em Evian.

Fontes francesas sublinharam que a inclusão da guerra na Ucrânia na agenda do encontro teve como objetivo reafirmar os Estados Unidos como um “parceiro de confiança” de Kiev, após episódios anteriores de tensão entre Trump e Zelensky.

À chegada a Evian, Trump mostrou-se disponível para desempenhar um papel mais ativo na procura de uma solução para o conflito.

Inforpress/Lusa

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