Tráfico de Pessoas: Observatório alerta para aliciamento através das redes sociais e anuncia sistema nacional de dados

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Tráfico de Pessoas: Observatório alerta para aliciamento através das redes sociais e anuncia sistema nacional de dados
03/07/26 - 01:48 pm

Cidade da Praia, 03 Jul (Inforpress) – O presidente do Observatório Nacional do Tráfico de Pessoas (ONTP) alertou hoje para o crescente uso das redes sociais por parte dos traficantes como “principal estratégia de aliciamento e engano”.

Em declarações à imprensa, à margem do lançamento do Mês Nacional de Mobilização, José Luís Vaz explicou que o lema deste ano, “Aprisionados pelo golpe”, é uma interpelação directa sobre as novas dinâmicas do crime organizado, apontando o conhecimento como a “maior arma” para combater este crime.

“Estamos a tentar contrapor esta tendência que é informar as pessoas. A nossa campanha denomina-se 'Conhecer para prevenir', ou seja, temos que informar as pessoas sobre quais são os sinais e os indicadores, para que possam estar minimamente preparadas para reconhecer e também dizer não, porque qualquer um pode estar sujeito a este tipo de aliciamento”, avisou.

Segundo a mesma fonte, o combate eficaz exige uma mudança de paradigma, focada na prevenção e não apenas na reacção após o crime acontecer, esclarecendo que o tráfico de pessoas não começa com a exploração, mas no aproveitamento das vulnerabilidades, quando uma pessoa é aliciada e enganada. 

“Se esperarmos que o tráfico aconteça para agir, muitas vezes as vítimas ficam condenadas à exploração e torna-se muito difícil investigar e resgatá-las”, clarificou.

Olhando para o futuro, José Luís Vaz apontou “dois grandes desafios estruturais” para a instituição no arquipélago, nomeadamente a criação de uma base estatística sólida e o reforço da proximidade territorial.

“O primeiro grande desafio tem a ver com a criação do sistema nacional de dados. O observatório, por essência, deve ter capacidades de recolher, trabalhar e disseminar informações que serão conhecimento e evidências fundamentais para suportar as políticas públicas, e estamos a fazer esse trabalho”, detalhou. 

O outro, acrescentou, é reforçar a rede nacional, porque, conforme referiu, o aliciamento acontece nas comunidades e nos municípios, e o ONTP tem de ter uma maior proximidade às pessoas para identificar casos e fazer o devido encaminhamento. 

Apesar de reconhecer que se trata de uma luta difícil contra redes organizadas que “detêm forte poder financeiro e logístico”, o presidente do observatório garantiu que a articulação institucional em Cabo Verde está a avançar. 

“Estamos a falar de um crime bastante complexo e invisível (…).É possível lutar e combater este tipo de crime com conhecimento e sensibilização, trabalhando em rede e de forma articulada”, concluiu.

SC/AA

Inforpress/Fim

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