
Cidade da Praia, 01 Out (Inforpress) – O músico, compositor e fundador da Escola Pentagrama, Tó Tavares, defendeu hoje o reforço do ensino da música nas escolas como forma de preservar a identidade musical cabo-verdiana e garantir a continuidade do património musical nacional.
No âmbito do Dia Internacional da Música, celebrado no primeiro de Outubro, o guitarrista Tó Tavares defendeu a introdução do ensino artístico e da educação musical no sistema educativo.
Para ele, constitui “um dos instrumentos mais importantes” para transmitir às novas gerações os valores ligados à identidade musical de Cabo Verde, considerando ainda que a educação musical deve assumir um papel “importante” na formação das novas gerações.
O responsável da Escola Pentagrama, situada na principal rua Pedonal, no Platô, disse que a música tradicional cabo-verdiana continua a ter espaço, sobretudo no contexto da animação turística, uma vez que permite apresentar aos visitantes elementos do património cultural do país.
Segundo explicou, muitos jovens recorrem actualmente ao “baú” da música tradicional para criar produtos de representação cultural destinados ao sector turístico, contribuindo para trazer “à ribalta” o legado musical cabo-verdiano.
Tó Tavares manifestou, entretanto, preocupação com a produção de novas composições de música tradicional, apontando para uma redução da criação de mornas e coladeiras quando comparada com períodos anteriores.
“Quem é o compositor da morna e coladeira em Cabo Verde hoje? É difícil apontar uma”, observou, salientando que, embora a música tradicional esteja a funcionar bem como manifestação de animação musical ligada ao turismo, a produção e construção de novos temas não.
Na sua análise, a música tradicional cabo-verdiana além da morna e a coladeira, existem igualmente os géneros conhecidos como o batuque e o funaná.
Sobre o batuque, considerou que a sua manifestação continua a funcionar bem, mas alertou para um conteúdo “comercial” que, na sua perspectiva, merece atenção.
Em relação ao funaná, explicou que o género está a sofrer alterações e defendeu a necessidade de preservar as suas características matriciais.
Tó Tavares referiu-se, nomeadamente, às diferentes formas como o género é actualmente apresentado, o chamado “cotxipó”.
No domínio dos tempos modernos, o compositor considerou que a utilização da Inteligência Artificial na produção musical não constitui necessariamente uma ameaça, defendendo que podem ser encaradas como ferramentas para o desenvolvimento da música.
Outro desafio apontado pelo músico prende-se com os direitos de autor, área que defendeu que se deve trabalhar mais, sobretudo no que diz respeito à cobrança e à distribuição dos direitos.
Com 40 anos de carreira, Tó Tavares enalteceu, por conseguinte, o percurso da Escola Pentagrama, instituição com 35 anos de existência, iniciada em 1990 e consolidada a partir de 1991.
A escola ministra actualmente cursos de piano, canto, violão, educação musical e violino, que pretende a introdução, neste mês, do curso de ukulele, destinado à educação musical de crianças dos cinco aos 10 anos.
LT/ZS
Inforpress/Fim
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