
Mindelo, 16 Abr (Inforpress) – Os sindicatos representantes do sector da saúde consideraram hoje que a postura do Governo em os desmentir só está a “enfurecer” os trabalhadores e a condicionar a possibilidade de entendimento marcada para o dia 23.
O coordenador da frente sindical que reúne sete organizações, Luís Fortes, reagiu desta forma à Inforpress, ao comunicado do Ministério da Saúde, que assegurou estar a “cumprir rigorosamente o acordo firmado em Março de 2025” para a reforma estrutural das carreiras profissionais da saúde em Cabo Verde.
O sindicalista recordou que a luta pelos direitos dos profissionais não começou em 2025, e sim desde 2024 têm trabalhado com o executivo para cumprir as reivindicações, que foram transferidas para 2025, depois 2026, e agora para possível orçamento rectificativo que deve ser aprovado na próxima legislatura.
“Temos os documentos assinados pelos membros do Governo, quanto a esses acordos. Temos todas as datas que podemos fornecer para comprovar”, sublinhou a mesma fonte.
Para o sindicalista, a atitude do executivo, "em vez de procurar o caminho do consenso, está a fomentar a discórdia e a desmobilização dos profissionais da saúde ".
“Mas isso está a ter efeito contrário, os trabalhadores estão mais furiosos porque estão por dentro de todo o processo e sabem quem está a falar a verdade. Sentem isso na pele”, considerou Luís Fortes.
O sindicalista classificou ainda como “absurdo” o facto de o Ministério da Saúde os estar a acusar de não levarem em consideração, por exemplo, os técnicos de diagnóstico e terapêutica, “quando foram os sindicatos a propor a criação destas carreiras especiais”.
Luís Fortes instou o Governo a rever a sua posição, advertindo que este “braço de ferro” gera revolta e pode comprometer o encontro de conciliação marcado para a próxima quarta-feira, 23.
Apesar de manterem a abertura ao diálogo, os sindicatos reafirmaram que o pré-aviso de greve nacional para os dias 28, 29 e 30 de Abril permanece em vigor, caso não sejam apresentadas soluções concretas para as pendências laborais.
LN/CP
Inforpress/Fim
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