São Nicolau: José Firmino promove “viagem ao passado” do Carnaval com exposição documental no Terreiro

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São Nicolau: José Firmino promove “viagem ao passado” do Carnaval com exposição documental no Terreiro
11/02/26 - 01:40 pm

Ribeira Brava, 11 Fev (Inforpress) – O pesquisador e entusiasta cultural José Firmino tem patente no Terreiro, Ribeira Brava, uma exposição que reúne fotografias antigas e peças de Carnaval, com o objetivo de preservar a memória histórica e ilustrar o percurso evolutivo do evento.

Em declarações à Inforpress, José Firmino explicou que a iniciativa pretende ser “uma viagem ao passado”, permitindo às novas gerações e aos emigrantes recordar como era vivido o Carnaval noutras épocas e compreender o percurso de evolução da festa na ilha.

Segundo o promotor, a mostra reúne imagens antigas de grupos como Copa Cabana e Estrela Azul, fotografias de reinados desde a década de 1950, letras de mornas e registos de compositores marcantes do carnaval sanicolauense, como Luiz Gonzaga e Mané Pxei.

“O objectivo é partilhar e mostrar o que o nosso Carnaval carrega de história, desde o tempo em que se cantava morna no desfile, passando pelo samba e marcha, até à fusão de ritmos que hoje caracteriza os grupos”, sublinhou.

José Firmino destacou que a morna teve, durante muitos anos, um papel central no Carnaval de São Nicolau, sobretudo nas saídas das rainhas e nos momentos de despedida do Carnaval, na terça-feira.

O mesmo recordou ainda tradições como o “assalto” na segunda-feira de Carnaval e o espírito de confraternização entre grupos rivais, que trocavam presentes.

A exposição evidencia também a transformação dos materiais e técnicas utilizadas na construção dos carros alegóricos e trajes.

“Antigamente era madeira, depois passou para o ferro e hoje utiliza-se massa, gesso, espuma e outros materiais que permitem um acabamento mais artístico”, explicou

Defendeu, contudo, que a modernização não deve significar a perda da originalidade e da criatividade que sempre marcaram o carnaval de São Nicolau.

O investigador referiu que o trabalho resulta de anos de recolha e pesquisa em arquivos pessoais, com recurso a fotografias, vídeos e testemunhos orais, destacando que o processo é moroso, sobretudo na confirmação de datas e fundações de grupos, devido a informações divergentes e à perda de registos ao longo do tempo.

“Hoje, toda a gente tem um telemóvel e pode filmar, mas é importante resgatar a história antiga para que a nova geração saiba como era o carnaval quando não havia luz eléctrica, quando se usava Petromax e quando os ensaios eram feitos quase em segredo”, frisou.

José Firmino realçou ainda que o Carnaval de São Nicolau tem registado “uma evolução significativa”, tanto ao nível técnico como organizacional, com maior número de figurantes, melhores recursos e trajes mais elaborados.

No entanto, alertou para a necessidade de preservar a disciplina, o cumprimento de horários e a identidade própria da festa, pelo defendeu a “profissionalização e valorização” dos artistas.

A exposição, que decorre ao ar livre na principal praça no centro da cidade, tem registado a visita de alunos, turistas e residentes, e insere-se nas actividades paralelas do Carnaval de São Nicolau, considerado uma das maiores manifestações culturais da ilha e um importante motor económico para a Ribeira Brava.

WM/AA

Inforpress/Fim

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