
Cidade do Tarrafal, 08 Jul (Inforpress) - Agricultores na ilha de São Nicolau apontaram hoje a escassez de mão-de-obra, provocada pela acentuada saída de jovens para outras ilhas e para o estrangeiro, como a principal dificuldade para o arranque dos trabalhos do novo ano agrícola.
Nas diversas zonas agrícolas da ilha, com particular incidência nos vales de Fajã e Queimadas, os proprietários têm-se queixado das enormes dificuldades em encontrar trabalhadores para a faina, o que, segundo os mesmos, pode comprometer a sustentabilidade das actividades no campo.
Em declarações à Inforpress, o agricultor Kevylson Silva, da zona de Canto de Fajã, afirmou que esta situação se tem vindo a arrastar e a agravar nos últimos tempos, desencadeando um impacto directo e negativo no cultivo de diferentes produtos de sequeiro e regadio.
“A falta de mão-de-obra está a comprometer a actividade agrícola na ilha, e as poucas pessoas que ainda estão disponíveis ficam sobrecarregadas com vários trabalhos e nem sempre conseguem dar conta”, desabafou.
Conforme explicou, a par da extrema escassez de trabalhadores, os agricultores enfrentam custos diários elevados, sendo obrigados a pagar entre 1.200 a 1.500 escudos por cada jornada de trabalho, um valor que pesa substancialmente no orçamento de exploração e dificulta a rentabilidade do processo.
Também em conversa com a Inforpress, o agricultor Jacinto Silva, da mesma localidade, realçou que este problema está a atrasar o calendário agrícola tradicional, sendo que muitos produtores ainda nem sequer conseguiram iniciar a limpeza e a preparação prévia dos terrenos.
A par da crise laboral, os homens do campo demonstraram forte preocupação perante a persistência de pragas destrutivas na ilha, apontando a lagarta-do-cartucho do milho e a galinha-do-mato como factores que afectam o desenvolvimento do sector.
Como consequência directa da falta de braços e do esforço exigido, vários camponeses revelaram que estão a abandonar o cultivo do milho, optando por culturas menos exigentes, como a mandioca e a ervilha.
Apesar do cenário adverso, os agricultores mantêm-se resilientes e perspectivam um bom ano agrícola, depositando todas as esperanças na queda de chuvas regulares e em quantidade para beneficiar as plantações.
LS/CP
Inforpress/Fim
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