
***Por: Keila Antunes, da Agência Inforpress***
São Filipe, 01 Mai (Inforpress) – A Casa das Bandeiras voltou hoje a ser o epicentro da tradição com a realização do tão aguardado almoço dos cavaleiros, realizado por volta das 14 horas, logo após a missa solene integrada nas festividades do Presídio.
Entre o sagrado e o profano, o momento confirmou-se como uma das expressões mais autênticas da identidade foguense.
Depois da celebração religiosa, marcada por devoção e simbolismo, os cavaleiros dirigiram-se à Casa das Bandeiras, onde o ambiente já fervilhava de expectativa.
O espaço, decorado com elementos tradicionais e marcado pelo vaivém de pessoas, misturava o aroma intenso da comida típica com o som ritmado do tambor, que ecoava firme, quase como um chamamento ancestral.
À mesa, a gastronomia tradicional foi o grande protagonista, com pratos preparados com esmero, respeitando receitas transmitidas de geração em geração, trouxeram à mesa sabores identitários, como carne cuidadosamente temperada, feijão rico e encorpado, xerém, arroz soltinho e acompanhamentos que celebram a agricultura local.
Entre os presentes estava Manuel Lopes, emigrante nos Estados Unidos há mais de duas décadas, que fez questão de regressar à ilha para viver as festividades.
“Eu já participei em muitas festas lá fora, mas nada se compara a isto. Aqui sente-se a raiz, sente-se a alma da nossa terra. O almoço dos cavaleiros é mais do que comida, é reencontro, é identidade”, afirmou visivelmente emocionado.
Também João Pires, foguense residente em São Filipe e participante activo nas actividades das festas, destacou a importância do momento.
“Nós crescemos a ver os nossos pais e avós a manter esta tradição. Participar hoje é uma honra. A Casa das Bandeiras tem um significado profundo para nós. É aqui que celebramos a nossa história”.
O presidente da Câmara Municipal de São Filipe, Nuías Silva, fez um balanço “amplamente positivo” das festividades, sublinhando a dimensão cultural, económica e social do evento.
Segundo o autarca, esta edição superou as expectativas, quer ao nível organizativo, quer na mobilização de visitantes.
“É o ano em que, provavelmente, temos o maior número de emigrantes, visitantes e turistas a demandar a ilha, bem como uma maior participação dos munícipes”, afirmou, reforçando a forte adesão ao cartaz do Festival no Presídio, à feira de negócios e à feira automóvel, onde foram comercializados mais de 50 veículos em três dias, um resultado que classificou como extraordinário para a economia local.
O edil sublinhou ainda o sucesso das actividades inovadoras, como o off-road “mano a mano”, a corrida de cavalos e as tradicionais cavalhadas, além da organização dos eventos no espaço do Presídio, que decorreram, na maioria, dentro dos horários previstos, permitindo equilíbrio entre festa e descanso.
Para Nuías Silva, a festa de São Filipe é “sui generis”.
“Une tradição, desporto, cultura, gastronomia, o religioso e o profano. Não é apenas festival ou baile, é amizade, é cultura, é a morabeza cabo-verdiana em essência”, afirmou, acrescentando que quem participa consegue sentir um conceito que “não se descreve, sente-se”.
Apesar dos desafios naturais de uma organização de grande envergadura, o presidente garantiu que os constrangimentos pontuais foram resolvidos com eficácia, resultando num balanço final “extraordinariamente positivo”, marcado pelo civismo e pelo comportamento exemplar dos participantes.
À medida que o almoço dos cavaleiros se prolongava, entre brindes, abraços e conversas cruzadas, ficava evidente que aquele momento ultrapassava o simples acto de partilhar uma refeição.
Na Casa das Bandeiras, entre o som do tambor e o sabor da terra, viveu-se mais do que um almoço, viveu-se a essência da Festa de São Filipe.
KA/HF
Inforpress/Fim
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