Santo Antão: Pesca artesanal em Cruzinha perde força com falta de pescadores e renovação geracional

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Santo Antão: Pesca artesanal em Cruzinha perde força com falta de pescadores e renovação geracional
14/09/26 - 05:45 pm

Ribeira Grande, 14 Set (Inforpress) – A pesca artesanal na localidade de Cruzinha, Ribeira Grande, perdeu expressão nos últimos anos, devido ao envelhecimento dos pescadores e à falta de jovens interessados em seguir a actividade, afirmou hoje o pescador Joaquim Delgado.

Em declarações à imprensa, Joaquim Delgado explicou que a actividade pesqueira, que durante muitos anos constituiu uma importante fonte de rendimento para várias famílias da comunidade, está actualmente reduzida a poucos praticantes.

“A pesca em Cruzinha já praticamente não funciona. As pessoas que faziam a pesca artesanal foram morrendo, outras têm problemas de saúde e os filhos não seguiram os passos dos pais”, lamentou.

Segundo o pescador, existe actualmente apenas uma pessoa que se dedica com regularidade à pesca artesanal na localidade, enquanto ele próprio continua a pescar a partir das rochas, utilizando cana de lançamento e linha de mão.

A actividade ganha alguma dinâmica entre Abril e Maio, período em que alguns pescadores recorrem às redes de malha, mas, durante grande parte do ano, os botes existentes são utilizados sobretudo no transporte de pessoas e cargas para Ribeira Alta.

Joaquim Delgado adiantou que, com a aproximação dos meses de maior agitação marítima, as perspectivas para a pesca tornam-se ainda mais reduzidas.

“A partir de Outubro o mar começa a ficar revolto. Para voltarmos a contar com alguma pesca, será praticamente só a partir de Abril do próximo ano”, explicou.

O pescador recordou que Cruzinha viveu tempos em que a pesca tinha um peso significativo na economia e na vida social da comunidade, contando com cerca de oito a dez botes, cada um com cinco ou seis pescadores.

Na altura, acrescentou, existiam também mais de 20 peixeiras que asseguravam a comercialização do pescado, cenário que contrasta com a realidade actual, em que permanecem apenas duas ou três.

“Umas emigraram, outras ficaram idosas e a nova geração não quer assumir esta actividade. Os jovens procuram outro tipo de vida”, afirmou.

Joaquim Delgado, que começou a pescar aos 17 anos, reconheceu igualmente que Cruzinha apresenta limitações em termos de infra-estruturas ligadas ao sector, mas considerou que o maior problema está na falta de pessoas disponíveis para trabalhar na pesca.

“Temos botes, mas não temos gente para trabalhar. Muitos já não querem esta vida”, salientou.

Segundo a mesma fonte, perante a redução do número de pescadores locais, Cruzinha recebe actualmente pescadores provenientes de outras localidades, que se deslocam à zona para aproveitar os recursos pesqueiros existentes.

Para Joaquim Delgado, a situação evidencia uma transformação profunda numa comunidade onde a pesca, outrora uma das actividades tradicionais mais marcantes, enfrenta agora o desafio da falta de mão-de-obra e de continuidade entre gerações.

LFS/HF

Inforpress/Fim

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