
Santa Catarina, 21 Jun (Inforpress) – Habitantes de Ribeirão Manuel e Tambatouro, no município de Santa Catarina, apontam a criminalidade, as dificuldades enfrentadas pela agricultura e a escassez de oportunidades para os jovens entre os principais desafios das comunidades.
Nestas duas localidades rurais, a agricultura e a criação de animais continuam a ser as principais fontes de sobrevivência.
Contudo, os moradores dizem que a irregularidade das chuvas, os custos associados à produção e a falta de mão de obra têm dificultado a actividade agrícola nos últimos anos.
Maria de Fátima de Oliveira, agricultora, explicou que muitas famílias sobrevivem da agricultura, da pecuária e das remessas enviadas pelos familiares emigrados, mas reconheceu que as dificuldades persistem, sobretudo no acesso à água.
Segundo relatou, apesar da existência de rede de abastecimento, há períodos em que a água escasseia, obrigando muitas famílias a recorrer à compra de água para garantir as necessidades básicas e a manutenção das actividades agrícolas.
A realidade também preocupa os mais jovens como Adriana Brito, que descreve Ribeirão Manuel como uma localidade tranquila, mas com poucas actividades capazes de ocupar os adolescentes e jovens.
A estudante considera que a criação de grupos juvenis, actividades culturais, desportivas e espaços de convívio poderia ajudar a dinamizar a comunidade e reduzir o sentimento de isolamento vivido por muitos jovens.
"É uma zona parada", resumiu, defendendo mais iniciativas que permitam aos jovens encontrar motivos para permanecer e participar na vida da comunidade.
A emigração surge igualmente como uma preocupação comum entre os entrevistados, que reconhecem que a saída de jovens tem vindo a reduzir a mão de obra disponível para a agricultura e outras actividades económicas locais.
João Correia, outro morador da localidade, considera que a falta de oportunidades contribui para este fenómeno, embora reconheça que a emigração faz parte da história e da cultura cabo-verdiana.
Além das dificuldades económicas, disse que os moradores manifestam preocupação com o aumento dos casos de vandalismo e furtos de animais.
Segundo João Correia, agricultores e criadores enfrentam frequentemente situações de roubo de galinhas, cabras e outros animais, um problema que tem gerado insegurança entre as famílias e levado muitos proprietários a reforçar medidas de protecção.
Para este morador, o combate à criminalidade e o reforço da actuação da justiça são aspectos fundamentais para devolver maior tranquilidade às comunidades rurais.
Apesar dos desafios, os entrevistados não escondem a esperança de dias melhores, e com a recente tomada de posse do novo Governo, esperam investimentos capazes de impulsionar o desenvolvimento local, criar oportunidades para os jovens e melhorar sectores como agricultura, transportes, educação, saúde e segurança.
Entre as expectativas manifestadas, destaca-se o desejo de ver as promessas transformadas em acções concretas que contribuam para fixar a população nas localidades e criar melhores condições de vida para as famílias.
Num território onde a resiliência continua a fazer parte do quotidiano, os moradores afirmam que não procuram soluções milagrosas, mas oportunidades que lhes permitam construir o futuro sem terem de abandonar a terra onde nasceram.
DV/AA
Inforpress/Fim
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