
***Por: Marli Coutinho Mendes, da Agência Inforpress***
Assomada, 02 Set (Inforpress) – A subida dos combustíveis, desde 01 de Setembro, reacendeu a preocupação dos condutores, passageiros e famílias, em Santiago Norte, num cenário de aumento do custo de vida, falta de chuva e regresso às aulas no horizonte próximo.
Nas ruas de Assomada, a nova realidade já se sente no bolso de quem precisa, diariamente, de transporte para trabalhar, vender, estudar ou simplesmente garantir o sustento da família.
Para Maria Santos, “rabidante” residente em Chã de Lagoa, a situação torna-se cada vez mais difícil. A comerciante conta que só para se deslocar para comprar mercadoria já paga cerca de 300 escudos pelo transporte público e se for necessário um táxi é mais caro.
“Para nós, a vida está cara”, desabafa, acrescentando que a falta de chuva agrava ainda mais as dificuldades, sobretudo para as famílias que dependem da agricultura e da criação de animais.
“Se não chover, fica mais complicado”, resume, numa preocupação que se estende ao preço dos alimentos e às despesas diárias.
A passageira Sandra Fernandes também teme que a subida do combustível seja acompanhada por aumentos nos transportes, tanto dentro do município de Santa Catarina como nas ligações para outros municípios.
“É uma situação nada agradável, principalmente para nós que somos passageiros e temos filhos estudantes”, afirma, preocupada com a capacidade de as famílias suportarem novos encargos precisamente numa altura em que se aproxima o início do ano lectivo.
Entre os condutores, a preocupação é semelhante. Tourinho, condutor de Chã de Tanque, explica que o aumento do combustível representa directamente mais custos para quem passa o dia na estrada, mas reconhece que qualquer aumento da tarifa pesa também sobre o passageiro.
“Gostaríamos que a autoridade competente visse qual é o caminho que devemos seguir”, apela, defendendo uma solução que permita repartir o impacto sem penalizar ainda mais as famílias.
O condutor Varela considera que a situação afecta todos e defende uma intervenção do Governo, recordando que anteriormente existiam mecanismos de apoio.
Segundo ele, alguns passageiros compreendem a situação, enquanto outros já manifestam desagrado quando o preço da viagem aumenta.
A pressão sobre o sector surge num momento em que a gasolina passou a custar 175,40 escudos por litro e o gasóleo normal 169,40 escudos, após a ARME ter aplicado, desde 01 de Setembro, uma subida média de 4,51 por cento (%) nos preços dos combustíveis. O gasóleo normal aumentou 7,49%.
A questão dos transportes ganhou ainda maior complexidade após a ARME esclarecer, em Agosto, que não tem competência legal para aprovar ou actualizar os preços praticados pelos hiaces, por estes serviços não se enquadrarem no transporte colectivo regular sujeito à sua regulação tarifária.
Apesar disso, em Junho, a reguladora aprovou um novo regulamento tarifário para os transportes colectivos urbanos e interurbanos, estabelecendo mecanismos de revisão e ajustamento das tarifas dos serviços abrangidos pela regulação.
Diante desta situação, o presidente da Associação de Condutores de Santa Catarina, Domingos Oliveira defendeu uma resposta das autoridades e recordou que o Orçamento Rectificativo de 2026 prevê medidas de mitigação dos custos dos combustíveis.
O documento inscreve mil milhões de escudos para compensar os diferenciais resultantes dessas medidas, enquanto outros 700 milhões se destinam à mitigação tarifária no sector eléctrico.
Para os condutores, contudo, o apoio deve chegar também ao transporte rodoviário.
Para os passageiros, a preocupação é outra: como fazer frente ao aumento das deslocações quando o preço dos alimentos, a educação e outras despesas familiares já pressionam o orçamento.
E, num país onde a chuva continua incerta, o regresso às aulas aproxima-se como mais uma despesa inevitável. Entre o combustível mais caro, transportes sob pressão e rendimentos que não acompanham o ritmo dos preços, famílias de Santiago Norte voltam a fazer contas para saber onde cortar sem comprometer o essencial.
Domingos Oliveira avançou que neste momento já está em contacto com outras associações da mesma índole no sentido de se reunirem com as entidades competentes e resolver da melhor forma esta situação.
Em termos de preço dos transportes, Assomada – Praia passa a ser 350$00, Praia – Tarrafal 700$00, e todos os pontos sofrem alterações de preço
MC/HF
Inforpress/Fim
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