Quinze formandos concluem capacitação em tecelagem do “Panu di Téra” promovida pelo IPC

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Quinze formandos concluem capacitação em tecelagem do “Panu di Téra” promovida pelo IPC
30/04/26 - 07:56 pm

Cidade da Praia, 30 Abr (Inforpress) – Quinze formandos concluíram hoje a capacitação em tecelagem do “Panu di Téra” (pano da terra), iniciada em Março pelo IPC, adquirindo competências técnicas, transmissão de saberes ancestrais e reforçando a valorização do património cultural imaterial.

A formação, realizada na Cidade Velha, no quadro do projecto de gestão do património pós-covid, financiado pela UNESCO, decorreu durante cerca de 45 dias e contou com a participação de 15 formandos, orientados por mestres artesãos especializados na tecelagem tradicional.

Em declarações à imprensa, a presidente do Instituto do Património Cultural (IPC), Samira Baessa, sublinhou o enquadramento estratégico da iniciativa, destacando a sua importância para a salvaguarda do “Panu di Téra”, recentemente classificado como património nacional.

“Foi uma formação financiada no quadro do projecto de gestão de património pós-covid (…) para reforçar a capacidade de resiliência e, também, os meios de subsistência das famílias que vivem no sítio histórico”, afirmou.

A responsável evidenciou ainda os desafios ligados à transmissão desta prática ancestral, salientando a necessidade de envolver mais jovens e criar condições para a continuidade do ofício.

Neste sentido, anunciou a criação de um espaço de interpretação e produção, destinado a acolher os novos artesãos e a valorizar o “Panu di Téra” junto dos visitantes.

A iniciativa, segundo a mesma fonte, revelou resultados acima das expectativas iniciais, com todos os participantes a concluírem o processo formativo com elevado nível de envolvimento, o que abre perspectivas para a expansão do projecto a outras localidades e públicos.

Entre os formandos, o sentimento dominante foi de “satisfação e motivação para dar continuidade ao trabalho iniciado”.

Maria Auxília Lopes, residente na Cidade Velha, realçou a transformação da sua percepção sobre esta tradição e o impacto pessoal da aprendizagem.

“Eu nunca soube o que era o Panu di Terra. Para mim era um pano normal, mas depois aprendi e hoje quero levar este projecto para frente”, disse.

A formanda considerou ainda que a capacitação representa uma oportunidade concreta para a valorização cultural e geração de rendimento, reforçando a importância de iniciativas que promovam o conhecimento e a prática do artesanato tradicional.

Para além da vertente cultural, o projecto assume uma dimensão económica relevante, ao estimular a produção e a comercialização de peças, contribuindo para o fortalecimento da economia criativa e para a afirmação da identidade cabo-verdiana.

Com o encerramento desta edição, o IPC pretende dar continuidade às acções de salvaguarda, apostando na formação, documentação e interpretação do “Panu di Téra”, consolidando a Cidade Velha como referência na preservação do património cultural.

KF/SR//HF

Inforpress/Fim

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