
Cidade da Praia, 26 Mai (Inforpress) – O fundador do projecto “Zé Luís Solidário” defendeu hoje uma maior cooperação entre o Estado e as organizações sociais, advogando que as associações devem ser vistas como parceiras no auxílio às populações vulneráveis.
As declarações de Zé Luís Martins foram proferidas à imprensa, no final de uma audiência com o Presidente da República, José Maria Neves, que serviu para assinalar o sexto aniversário do projecto e apresentar o balanço das acções humanitárias em Cabo Verde.
Revelou que o chefe de Estado recebeu a iniciativa “com alegria” e reconheceu o impacto social do trabalho desenvolvido tendo encorajado a continuidade das actividades e manifestado disponibilidade para mobilizar parceiros institucionais e associações em torno das causas sociais.
O activista sublinhou que as organizações sociais desempenham um papel estritamente complementar às políticas públicas, uma relação baseada na cooperação.
“O nosso objectivo não é concorrer com o governo ou com as câmaras municipais. Queremos trabalhar juntos, pois cada pessoa apoiada, cada exame financiado ou cada transferência médica realizada representa menos pressão financeira sobre o sistema público de saúde”, clarificou.
Ao fazer o balanço das actividades desenvolvidas nesses seis anos de existência, Zé Luís Martins indicou que o projecto já fez a transferência médica de 82 pacientes para tratamentos especializados em Dakar (Senegal), registando-se apenas dois óbitos.
Segundo explicou, a iniciativa já permitiu ainda a construção de oito casas nas ilhas de Santo Antão, Fogo e Brava, além do envio de apoios financeiros e materiais avaliados em milhões de dólares.
De acordo com o responsável, o projecto investiu mais de 800 mil dólares (75,7 mil contos) nas áreas da saúde, habitação, educação e segurança alimentar, além de ter mobilizado mais de dois milhões de dólares em materiais médicos e escolares.
Zé Luís Martins destacou igualmente que, apenas entre Janeiro e Maio deste ano, o projecto mobilizou cerca de 100 mil dólares (9,4 mil contos), que viabilizaram 12 transferências médicas internacionais.
Apesar do impacto visível na salvaguarda de vidas humanas, o fundador do “Zé Luís Solidário” admitiu que a instituição enfrenta fortes restrições financeiras decorrentes da crise económica internacional.
A sustentabilidade das operações, explicou, continua a depender quase exclusivamente do espírito de solidariedade e da confiança da diáspora cabo-verdiana radicada nos Estados Unidos e na Europa.
“O impacto do projecto está a ser visível através das transferências médicas, das ajudas sociais e das vidas que conseguimos salvar”, acrescentou.
O projecto “Zé Luís Solidário” nasceu em Abril de 2020, em plena crise pandémica da covid-19, com o propósito inicial de distribuir bens alimentares de primeira necessidade, tendo evoluído de forma célere para uma rede de cariz nacional com intervenção estrutural em várias ilhas.
Ao longo dos seis anos de actividade, o projecto tem actuado nas áreas da alimentação, habitação, saúde e educação, com maior incidência nos sectores da saúde e habitação.
CM/CP
Inforpress/Fim
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