
Cidade da Praia, 03 Out (Inforpress) – O presidente da Câmara Municipal do Paul, Adilson Fernandes, destacou hoje, o planeamento, inovação e a tecnologia como principais ensinamentos do seminário sobre Governação e Cidades Inteligentes, realizado em Pequim, na China, de 3 a 17 de Setembro.
Em declarações à Inforpress após o regresso a Cabo Verde, o autarca afirmou que a missão permitiu aos representantes dos municípios cabo-verdianos conhecer diferentes modelos de governação e soluções tecnológicas aplicadas à gestão dos territórios e dos serviços públicos, além de promover a troca de experiências e contactos com empresas e instituições chinesas.
Adilson Fernandes destacou experiências nos domínios da digitalização dos serviços públicos, mobilidade, gestão ambiental, protecção civil e utilização da tecnologia para melhorar a qualidade de vida das populações.
Segundo o autarca, uma das principais conclusões da missão é que uma cidade inteligente não se resume à utilização da tecnologia, mas implica uma nova forma de organizar e gerir o território e de prestar serviços públicos.
“Uma cidade inteligente não é simplesmente uma cidade com muita tecnologia. É, sobretudo, a forma como se utiliza a tecnologia, a informação e a inovação para resolver os problemas concretos das pessoas e dos territórios”, explicou.
O presidente da Câmara Municipal do Paul defendeu que algumas experiências observadas na China podem ser adaptadas à realidade cabo-verdiana, apesar das diferenças económicas, territoriais, demográficas e políticas entre os dois países.
Entre as áreas identificadas estão a gestão da água, agricultura, turismo, protecção civil, gestão de resíduos e ordenamento do território.
No município do Paul, Adilson Fernandes revelou que já está em curso um processo de modernização da administração municipal, tendo como uma das primeiras medidas a implementação do Balcão Único.
Outras soluções conhecidas na China poderão igualmente ser adoptadas, dependendo da existência de vontade política e recursos.
A gestão dos resíduos sólidos foi apontada como outra das áreas prioritárias e o autarca afirmou que a actual administração encontrou um sistema de recolha “bastante deficiente”, realizado numa carrinha de caixa aberta, tendo, entretanto, adquirido uma nova viatura, que, segundo disse, “tem dado uma boa resposta”.
Para Santo Antão, defendeu a construção de um aterro sanitário com cobertura para toda a ilha, considerando que o actual aterro melhorado serve os municípios do Paul e da Ribeira Grande.
Para o efeito, considera necessário trabalhar com o Governo e outros parceiros.
Adilson Fernandes salientou ainda a importância da educação ambiental, defendendo um maior envolvimento das escolas e organizações da sociedade civil na sensibilização da população.
Segundo afirmou, continuam a verificar-se situações de deposição de lixo nas encostas e nos leitos das ribeiras.
“Temos um município bonito, um município que se afirma a nível da ilha e também a nível nacional como um município com muitas potencialidades em termos turísticos. E turismo e resíduos sólidos a céu aberto não combinam”, afirmou.
Sobre a experiência que mais o marcou na China, o presidente da Câmara Municipal do Paul destacou o planeamento dos territórios e dos municípios.
“Tudo muito planeado, com a elaboração de planos para os seus municípios e para os seus territórios. Penso que é por essa via que nós temos de ir”, afirmou, apontando como exemplos o Plano Municipal de Habitação e o Plano Municipal de Turismo, que estão a ser preparados pelo município.
“Os governantes podem ter boas ideias, mas, se não houver planos para depois transformar essas ideias em acções concretas, não iremos chegar a lado nenhum”, concluiu.
JBR/AA
Inforpress/Fim
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