
Cidade da Praia, 07 Mai (Inforpress) – O Presidente da República defendeu hoje a democratização do acesso aos dados científicos e o reforço da cooperação entre universidades, centros de investigação e empresas, para impulsionar a inovação e fortalecer a ação climática global dos oceanos.
José Maria Neves falava à imprensa e na sessão de abertura da 22.ª edição da conferência BIN@ Cabo Verde, que decorre hoje e sexta-feira, 08, na Universidade da Cabo Verde (Uni-CV), onde proferiu uma palestra sob o tema “O papel de Cabo Verde na ação climática global dos oceanos”.
A mesma fonte destacou o mar “como principal recurso estratégico do arquipélago”, e “elemento central” do desenvolvimento sustentável do país.
Segundo o chefe de Estado, a economia azul representa “uma oportunidade estratégica” para Cabo Verde, sobretudo nas áreas das pescas, turismo, energias renováveis, biotecnologia, indústrias farmacêuticas e alimentares, desportos náuticos e aquáticos.
No entanto, advertiu que o aproveitamento sustentável destes recursos depende de alianças internacionais sólidas, inovação tecnológica e empreendedorismo.
“Através de iniciativas como a economia verde e azul e a inovação digital, podemos transformar as vantagens comparativas e desafios em fontes de vantagens competitivas”, sublinhou.
O Presidente da República destacou ainda que Cabo Verde, enquanto pequeno Estado insular, está na linha da frente dos impactos das alterações climáticas, como a subida do nível do mar, a acidificação dos oceanos e os fenómenos climáticos extremos.
Sublinhou a importância da criação de redes colaborativas entre instituições académicas e investigadores cabo-verdianos.
“Tenho insistido, não só com as universidades cabo-verdianas, mas também sempre que faço a presidência na diáspora estou a visitar várias universidades onde estudam estudantes cabo-verdianos, onde estão investigadores cabo-verdianos, para apelar no sentido de criarmos uma rede colaborativa que possa criar ideias novas através da investigação”, afirmou.
Segundo o chefe de Estado, o reforço da investigação científica permitirá obter dados concretos sobre a realidade dos países, contribuindo para decisões mais fundamentadas e políticas públicas mais consistentes.
“A ciência pode apoiar a formação de políticas públicas consistentes para fazer face aos desafios e para criar dinâmicas de crescimento e de competitividade”, destacou.
José Maria Neves apontou ainda Cabo Verde como um “laboratório vivo” na luta contra as mudanças climáticas, referindo medidas inovadoras adotadas pelo país, como a recente promulgação da lei que cria o Fundo Climático e Ambiental.
“Foi uma iniciativa de Cabo Verde muito inteligente que poderá contribuir para obtermos capacidades e recursos para fazermos face às mudanças climáticas”, declarou.
O Presidente da República considerou igualmente que Cabo Verde tem desenvolvido “uma forte diplomacia climática”, envolvendo os diferentes órgãos de soberania, o Governo e as autarquias locais, com destaque para o reconhecimento internacional da Macaronésia enquanto região estratégica para a inovação climática e ambiental.
José Maria Neves defendeu, por outro lado, que Cabo Verde deve assumir uma posição activa nas agendas climáticas internacionais, através de uma diplomacia climática focada na proteção dos oceanos e na promoção de soluções resilientes.
“Não podemos ser apenas observadores passivos; temos de ser a voz que alerta o mundo para a urgência de proteger os oceanos e o Planeta”, finalizou.
CM/AA
Inforpress/Fim
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