Portugal: Patoy destaca-se como um dos poucos homens a integrar grupo de batuque na diáspora

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Portugal: Patoy destaca-se como um dos poucos homens a integrar grupo de batuque na diáspora
31/07/26 - 09:25 am

Lisboa, 31 Jul (Inforpress) – O cabo-verdiano Manuel Carvalho, mais conhecido por Patoy, é um dos poucos homens a integrar um grupo de batuque em Portugal, defendendo que esta manifestação cultural deve ser preservada e transmitida por homens e mulheres.

Em declarações à Inforpress, a propósito do Dia Nacional do Batuque, assinalado anualmente a 31 de Julho em Cabo Verde, Patoy, vocalista do grupo Batucadeiras das Olaias, composto por 17 elementos, dos quais três homens, afirmou que o seu envolvimento neste género musical cabo-verdiano começou na infância e nunca foi posta em causa por ser do sexo masculino.

"O batuque, é considerado uma das manifestações mais antigas de Cabo Verde, e tradicionalmente sempre foi executado e liderado por mulheres, mas acredito que os homens também podem contribuir para a sua valorização, divulgação e preservação”, afirmou.

O artista, 49 anos, reconheceu que ainda “existe algum preconceito” em relação à participação masculina no batuque, mas assegurou nunca o ter sentido ao longo das suas lides nesta manifestação cultural que é património nacional.

“Entrei no batuque aos sete anos e ninguém me vai dizer para o abandonar. Enquanto tiver forças, vou continuar”, declarou.

Natural do município de Santa Catarina de Santiago, Patoy emigrou para Portugal em 2003, e integra, desde de a sua criação, em 2019, o grupo Batucadeiras das Olaias, que actua regularmente em festivais, encontros culturais e iniciativas promovidas por associações cabo-verdianas em vários pontos do país.

Para o imigrante santacatarinense, o batuque “não tem género”, lembrando que esta manifestação cultural nasceu em contexto em que as mulheres aproveitavam os momentos de convívios para cantar, dar torno [dança de batuque, em português] e partilhar experiências.

Patoy apontou como principal referência o falecido Ntóni Dente d’Ouro, lendário intérprete e guardião do batuque e do finaçon e um dos raros homens que teve reconhecimento nestes géneros musicais.

“Sempre me inspirei no Ntóni Denti d’Ouro, que era homem, e esteve no batuque até morrer. Sou um seguidor dele e quero continuar no batuque até ao fim da minha vida”, afirmou.

Autor de mais de 50 composições, explicou que privilegia temas ligados à identidade cabo-verdiana, à imigração, à família, à terra natal e às figuras que marcam a sociedade, evitando abordar assuntos da vida privada das pessoas.

Entre as músicas do repertório destacou “Nha Santa Catarina”, “Mãe”, “Avião” e “Presidente”.

“Quero que, quando as pessoas ouçam as nossas músicas, sintam a tradição, a cultura e a ligação à nossa terra”, referiu.

Questionado sobre a introdução de instrumentos musicais modernos no batuque, Patoy mostrou-se aberto à inovação, desde que a essência da manifestação seja preservada.

“Podemos introduzir alguns instrumentos em determinadas músicas, mas o importante é manter o batuque tradicional baseado na voz e txabeta, instrumento utilizado como percussão”, defendeu.

O grupo cabo-verdiano, que já reúne mais de 50 composições originais, pretende gravar o primeiro álbum, estando o projecto em fase de preparação.

Na sua opinião, o crescente interesse dos jovens pelo batuque, tanto em Cabo Verde como na diáspora, representa um sinal positivo para a continuidade desta manifestação cultural.

Por isso, defendeu um maior investimento das autoridades cabo-verdianas na promoção do batuque em Portugal, nomeadamente através do financiamento para gravação de músicas e videoclipes.

FM/AA

Inforpress/Fim

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