
Cidade da Praia, 07 Out (Inforpress) - O presidente do Partido Popular (PP), Amândio Barbosa Vicente, considerou hoje que os primeiros 100 dias do Governo liderado por Francisco Carvalho mostram “sinais positivos”, mas criticou a “partidarização do aparelho do Estado”.
Em declarações à Inforpress, o dirigente partidário apontou como medidas positivas a eliminação das taxas moderadoras nos hospitais, sublinhando que a saúde é um bem essencial, e a abolição das propinas no ensino superior.
Relativamente à eliminação da taxa moderadora hospitalar, Amândio Vicente afirmou que a medida representa a correcção de um erro cometido por um anterior executivo do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), durante a governação de José Maria Neves.
“A taxa de mercantilização da saúde em Cabo Verde foi introduzida por um governo do PAICV e o actual executivo veio apenas corrigir um erro cometido pelo próprio partido no tempo de José Maria Neves”, sustentou.
Amândio Vicente apontou também a gratuitidade das propinas nas universidades como outro sinal positivo destes 100 dias, defendendo, contudo, que a medida deve ser alvo de uma avaliação mais profunda para aferir o seu real impacto e os seus resultados.
No capítulo dos aspectos negativos, o líder do PP, partido sem assentassento parlamentar, colocou em primeiro lugar o que classificou como “partidarização do aparelho do Estado”.
Segundo o responsável, para exercer um cargo público em Cabo Verde é hoje necessário “ser do PAICV ou ser amigo de Francisco Carvalho”, o que, no seu entender, representa uma violação da lei e da Constituição, designadamente do princípio da igualdade de oportunidades.
O dirigente do PP acrescentou que esta prática não é nova, tratando-se de “um mal herdado do tempo do MpD” que tende a perpetuar-se pela ausência de concursos públicos transparentes.
Amândio Vicente criticou igualmente a manutenção da chamada “gordura do Estado”, apesar das promessas de redução de custos públicos. Para o presidente do PP, não existiu uma verdadeira reestruturação estatal, mas apenas a substituição de quadros.
“Continuamos com a mesma gordura no Estado, só mudaram as pessoas. Tiraram as pessoas que tinham a ventoinha do MpD no peito e colocaram as que têm a estrela negra do PAICV”, afirmou.
Questionado sobre o aumento do preço dos combustíveis e a falta de medidas para mitigar o seu impacto no orçamento das famílias, Amândio Vicente alargou os reparos à evolução do custo de vida no arquipélago.
Segundo salientou, a inflação e a escalada de preços dos combustíveis e dos bens essenciais têm degradado a qualidade de vida dos cidadãos, sem que o Governo apresente soluções estruturais para inverter o cenário.
Na avaliação global do início de mandato, Amândio Vicente afirmou não identificar medidas de longo alcance capazes de reformar estruturalmente a economia cabo-verdiana, concluindo que o executivo está a “remar em vez de navegar”, limitando-se a gerir o curto prazo com medidas imediatas.
JBR/CP
Inforpress/Fim
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