Orlando Dias desiste da corrida à liderança do MpD e declara apoio a Paulo Veiga

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Orlando Dias desiste da corrida à liderança do MpD e declara apoio a Paulo Veiga
06/07/26 - 01:46 pm

Cidade da Praia, 06 Jul (Inforpress) - O político Orlando Dias anunciou hoje a desistência da sua candidatura à liderança do Movimento para a Democracia (MpD) e declarou apoio à candidatura de Paulo Veiga à presidência do partido.

O anúncio foi feito hoje durante uma conferência de imprensa, na cidade da Praia, em que Orlando Dias explicou que a sua decisão resulta da convicção de que Paulo Veiga reúne, neste momento, as “melhores condições” para liderar o MpD e conduzir o partido a um novo ciclo político.

Segundo afirmou, Paulo Veiga é um dirigente “simples, humilde, dialogante e capaz de ouvir os militantes”, além de possuir condições para reforçar a organização interna e garantir a sustentabilidade financeira do partido.

Orlando Dias recordou que, em 2023, já tinha manifestado disponibilidade para retirar a sua candidatura caso surgisse um militante que reunisse melhores condições para promover um amplo movimento de regeneração do MpD.

“Na altura já tinha em mente Paulo Veiga, embora este não tivesse manifestado intenção de avançar”, afirmou, apelando aos militantes para se unirem em torno de um projecto de mudança, nas eleições internas marcadas para 06 de Setembro, que culminarão com a próxima Convenção Nacional do partido.

O político considerou que o novo líder deverá promover uma renovação do partido, com regresso aos princípios fundadores, reforço da democracia interna, valorização da militância e reorganização das estruturas partidárias.

Na ocasião, apelou aos seus apoiantes de 2023 e aos actuais simpatizantes para apoiarem Paulo Veiga, afirmando que o objectivo é “reerguer o MpD original”, onde os militantes sejam respeitados e tenham voz activa na vida interna da organização.

Orlando Dias revelou ainda que manteve um encontro com Paulo Veiga, durante o qual este se comprometeu a acolher várias das suas propostas para o partido e para o país.

Questionado sobre o eventual papel que poderá desempenhar caso Paulo Veiga seja eleito presidente do MpD, respondeu que essa definição dependerá do entendimento entre ambos, admitindo provavelmente integrar a futura estrutura do partido como um dos vice-presidentes. 

Segundo explicou, pretende contribuir para a reorganização do partido, incluindo uma revisão profunda dos estatutos, a reposição dos Núcleos de Acção Democrática e das comissões políticas regionais, bem como o reforço da liberdade de expressão, do debate interno e do pluralismo de ideias.

Orlando Dias reiterou que nunca pretendeu utilizar a candidatura como plataforma para disputar o cargo de primeiro-ministro, explicando que defendia uma liderança de consenso destinada a reorganizar o partido até 2029, antes da passagem de testemunho a uma nova geração.

Como esse consenso não se verificou, sintetizou, optou por retirar a candidatura e apoiar Paulo Veiga.

Na conferência de imprensa, Orlando Dias dirigiu críticas aos outros dois candidatos à liderança do MpD.

Sobre Luís Filipe Tavares, afirmou que integrou durante 13 anos a direcção do partido como vice-presidente sem manifestar críticas à liderança cessante, nem contribuir para corrigir o rumo político que conduziu às derrotas eleitorais.

Relativamente a Herménio Fernandes, considerou que foi um factor de desunião nas eleições internas de 2023 e acusou-o de não assumir responsabilidades pelas causas das recentes derrotas eleitorais do partido.

Na sua perspectiva, tanto Luís Filipe Tavares como Herménio Fernandes representam uma continuidade da liderança de Ulisses Correia e Silva, que, segundo disse, afastou o partido dos seus princípios fundadores, concentrou o poder interno e distanciou a militância das decisões políticas.

Confrontado com a possibilidade de as suas declarações serem interpretadas como ataques pessoais aos adversários, Orlando Dias rejeitou essa leitura, afirmando tratar-se de “críticas políticas construtivas”.

Sublinhou ainda que não defende uma ruptura com o MpD, mas sim com o modelo de liderança que, no seu entender, conduziu o partido às últimas derrotas eleitorais, reiterando que os restantes candidatos poderão continuar a integrar os órgãos partidários, embora considere que não devem assumir a liderança do partido.

DG/AA

Inforpress/Fim

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