Organização da Juventude Africana quer jovens no centro do poder em África e anuncia pacto em Cabo Verde

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Organização da Juventude Africana quer jovens no centro do poder em África e anuncia pacto em Cabo Verde
15/07/26 - 03:43 pm

Cidade da Praia, 15 Jul (Inforpress) - Os jovens africanos têm de assumir um papel central nos órgãos de decisão e no poder político do continente, considerou hoje, na cidade da Praia, o presidente da Organização Mundial da Juventude Africana (OMJA).

“O nosso objectivo é incluir todos os jovens e estarmos no centro da tomada de decisões, no parlamento, e lutarmos por essa centralidade”, afirmou Silvano Bernardo à Inforpress, logo após o encontro com a Comissão Nacional para os Direitos Humanos e a Cidadania (CNDHC), no âmbito da sua primeira visita oficial de seis dias a Cabo Verde.

Silvano Bernardo revelou que o encontro com a CNDHC foi estratégico para a recta final do principal documento orientador da instituição.

“Este encontro vai influenciar os nossos projectos e estamos na fase de conclusão do nosso Pacto da Juventude para o Desenvolvimento do Continente”, anunciou, classificando a reunião como “um grande ganho”, que traz “a percepção clara dos desafios” que o continente enfrenta em matéria de direitos humanos.

Questionado sobre a inclusão e a mobilidade de Cabo Verde no xadrez africano por ser um país insular, o presidente da OMJA garantiu que a coordenação nacional da organização na cidade da Praia “será a bússola para executar os planos internacionais” no país. 

Silvano Bernardo destacou ainda que a era digital e a transformação tecnológica são pilares fundamentais da agenda para a empregabilidade e prometeu que a organização vai trabalhar para que Cabo Verde seja “uma marca integrada a nível tecnológico”.

O líder juvenil deixou ainda uma mensagem de resiliência à juventude cabo-verdiana, apelando a que não desistam dos seus sonhos e continuem ávidos e esperançosos num continente próspero.

“Estamos a lutar para que os jovens sejam ouvidos, acolhidos e possam viver o sonho do nosso próprio continente”, concretizou.

Por sua vez, a presidente da CNDHC, Eurídice Mascarenhas, felicitou a iniciativa e sublinhou o orgulho institucional pelo facto de o secretário-geral da OMJA ser cabo-verdiano, o que confere ao país, conforme analisa, um lugar cimeiro na própria organização.

Contudo, deixou um aviso ao sublinhar que a conquista de espaço na política exige preparação.

“Não basta só reivindicar o espaço para a juventude, é preciso também capacitar a juventude para se posicionar em diferentes momentos e sectores”, advertiu.

Eurídice Mascarenhas alertou a OMJA para a necessidade de olhar para a juventude na sua total diversidade, apontando três prioridades urgentes que a organização deve abraçar.

Nomeou o apoio às pessoas com deficiência, a atenção especial à saúde mental pós-covid e o combate ao “flagelo da imigração em massa”, que tem resultado em “trágicas perdas de vidas” no Oceano Atlântico.

Como passos práticos de cooperação para o futuro, a CNDHC disponibilizou-se de imediato para apoiar a OMJA, tendo a responsável da comissão proposto avançar, através das novas tecnologias, com um projecto-piloto de capacitação na região lusófona, focado na literacia de direitos humanos e na divulgação da Carta Africana da Juventude.

“É o caminho certo para fazer com que os jovens possam assumir o protagonismo e ser o sujeito do desenvolvimento”, concluiu.

SC/AA

Inforpress/Fim

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