
Cidade da Praia, 16 Jun (Inforpress) – A representante da OMS em Cabo Verde defendeu hoje, na Praia, uma maior colaboração entre a saúde e a tecnologia para enfrentar desafios como as alterações climáticas, a falta de profissionais e o aumento das doenças não transmissíveis.
Ann Lindstrand considerou ainda que a tecnologia, aliada aos cuidados humanizados, é “fundamental” para responder aos desafios que os sistemas de saúde enfrentam no século XXI.
Estas informações foram avançadas à Inforpress, à margem das Jornadas do DCSAT 2026, realizadas pelo Departamento de Ciências da Saúde, Ambiente e Tecnologias (DCSAT) da Universidade de Santiago.
A representante da OMS em Cabo Verde participou na Conferência Magna intitulada “Tecnologia e Humanização: os desafios da saúde no século XXI”, onde abordou o tema.
A mesma fonte referiu que os países vivem actualmente uma “transição epidemiológica e demográfica” marcada pelo envelhecimento da população, pelo aumento das doenças não transmissíveis, pelas emergências de saúde pública relacionadas com as alterações climáticas e por dificuldades de financiamento e disponibilidade de profissionais qualificados.
Discutir estas questões no ambiente universitário, segundo Ann Lindstrand, é “essencial”, uma vez que a solução dos problemas de saúde exige uma colaboração mais estreita entre profissionais da saúde e especialistas da área tecnológica.
A representante da OMS defendeu ainda a criação de um sistema nacional de informação em saúde capaz de disponibilizar dados em tempo real e interligar as diferentes ilhas, permitindo uma tomada de decisões mais rápida e eficaz.
Ann Lindstrand frisou o potencial da telemedicina para melhorar o acesso a cuidados especializados nas ilhas menos populosas, referindo o caso de São Nicolau, onde médicos locais consultam especialistas da Praia e de São Vicente para apoio em casos clínicos.
Relativamente à inteligência artificial (IA), considerou que esta representa “um dos instrumentos mais promissores” para o futuro da saúde, ao facilitar o acesso rápido à informação e apoiar o trabalho dos profissionais.
No entanto, alertou para a necessidade de uma utilização responsável da tecnologia, defendendo a implementação de normas éticas e mecanismos de regulação.
“Não podemos tomar decisões apenas com base na inteligência artificial. É fundamental manter a avaliação clínica humana”, sublinhou.
Alertou igualmente para os riscos associados à utilização inadequada da IA, referindo que a mesma tecnologia que pode contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos também pode ser utilizada para criar substâncias potencialmente perigosas.
Como expectativa para o pós-conferência, manifestou o desejo de que o encontro impulsione uma colaboração mais profunda entre os sectores da saúde e da tecnologia.
“A saúde pode identificar as necessidades e a tecnologia pode desenvolver soluções para responder às necessidades das pessoas e dos profissionais de saúde”, concluiu.
CG/ZS
Inforpress/Fim
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