
Cidade da Praia, 11 Set (Inforpress) – O novo Director Nacional da Defesa, capitão-do-Mar José Mário Tavares, defendeu hoje, na cidade da Praia, maior capacidade operacional, cooperação e aposta tecnológica para responder aos riscos transnacionais e reforçar a segurança do arquipélago.
Na primeira intervenção após assumir o cargo, José Mário Tavares traçou uma visão para a Defesa Nacional assente na posição geográfica de Cabo Verde no Atlântico Médio e na necessidade de transformar essa centralidade em capacidade estratégica, económica e de segurança.
Na mesma cerimónia, o major Isaías de Brito assumiu o cargo de Director do Centro de Estudos de Defesa Nacional, passando a integrar a nova estrutura dirigente do Ministério da Defesa Nacional.
Para o novo responsável, a localização do arquipélago, enquanto ponte natural entre África, Europa e Américas, oferece condições para consolidar o país como uma potência regional nos domínios marítimo, aéreo e tecnológico, apoiando a economia azul e o comércio internacional.
A mesma centralidade, contudo, expõe Cabo Verde a ameaças complexas, entre as quais o narcotráfico transnacional, a pirataria, a pesca ilegal e a criminalidade cibernética.
“Não há desenvolvimento sem segurança e nem segurança sem desenvolvimento”, afirmou, apresentando estes dois domínios como pilares indissociáveis.
Perante este cenário, defendeu uma Defesa e Segurança Nacional capaz e Forças Armadas eficientes e céleres, dotadas de maior capacidade de fiscalização, patrulhamento, projecção de força no mar e resposta às emergências.
Para esse efeito, considerou necessária uma articulação estreita e permanente entre o Ministério da Defesa Nacional e o Estado-Maior das Forças Armadas, de modo a assegurar o alinhamento entre as políticas de defesa definidas pelo Governo e a execução operacional militar.
Na sua perspectiva, essa articulação deve ser acompanhada pela plena operacionalização dos meios, garantindo que os recursos do Estado estejam disponíveis e prontos para responder às necessidades identificadas.
A reflexão estratégica, o pensamento prospectivo e a investigação deverão, igualmente, alimentar a vertente operacional e política da Defesa, cabendo ao Centro de Estudos da Defesa Nacional funcionar como um “laboratório de pensamento”, transformando a análise geopolítica em acções que contribuam para o desenvolvimento da Defesa Nacional.
Face à escassez de recursos, associada à condição de pequeno Estado insular em desenvolvimento, José Mário Lopes Tavares considerou necessária a eficiência, a racionalização dos meios e a utilização adequada dos recursos disponíveis.
Na sua intervenção, reservou também atenção ao factor humano, defendendo a motivação do pessoal, o reconhecimento do mérito e condições de trabalho adequadas, acompanhados por formação e capacitação contínuas.
Incluiu ainda a participação em missões regionais e internacionais, particularmente, nos domínios da segurança marítima, das operações humanitárias e das missões de manutenção da paz das Nações Unidas.
Sobre o serviço militar, defendeu que este deve assumir-se como uma escola de cidadania e valores, incluindo valores patrióticos e preparação dos jovens para a dedicação ao bem comum.
Nesse sentido, propôs repensar a forma de prestação do serviço militar obrigatório, envolvendo o sistema nacional de ensino, instituições do Estado e países parceiros através de acordos de cooperação bilateral.
“Temos de levar a defesa à sociedade, para que a sociedade venha à defesa”, precisou.
A aposta tecnológica integra, igualmente, a visão apresentada pelo novo Director Nacional da Defesa, que citou os drones e a ciberdefesa como caminhos necessários, sobretudo para a salvaguarda das infra-estruturas críticas.
Ao assumir as novas funções, José Mário Lopes Tavares comprometeu-se a trabalhar por uma Defesa Nacional competente e credível, orientada para os interesses da Nação.
KF/HF
Inforpress/Fim
Partilhar