
Cidade da Praia, 02 Nov (Inforpress) - O músico e compositor George Tavares lança o projecto discográfico “10 Ilhas, 10 Mornas”, com dez composições inéditas da sua autoria, interpretadas por 11 vozes cabo-verdianas, numa iniciativa de valorização e preservação da morna.
Em declarações à Inforpress, o artista disse que o projecto nasceu inicialmente a partir de uma composição dedicada à ilha do Sal, tendo posteriormente evoluído para uma iniciativa de valorização da identidade musical e cultural das diferentes ilhas do arquipélago.
Segundo George Tavares, o trabalho resultou de um processo de investigação sobre as realidades sociais, económicas e as vivências colectivas de cada ilha e traduzir essas particularidades nas composições.
O compositor referiu que a intenção de transformar o projecto num disco levou-o a convidar intérpretes representativos das diferentes ilhas, tendo a participação de duas vozes da ilha Brava contribuído para reunir 11 cantores.
A produção contou ainda com a colaboração de oito produtores técnicos espalhados por diferentes partes do mundo, numa abordagem que permitiu diversificar o tratamento musical das dez composições.
Tavares considerou que o projecto representa um contributo para a valorização da morna e para o reforço da sua presença na cultura cabo-verdiana e no panorama internacional.
“A morna já não é um produto apenas nosso, é um produto do mundo”, afirmou, pois, sintetizou, o reconhecimento internacional deste género musical deve ser acompanhado de iniciativas que assegurem a sua continuidade e valorização.
O músico referiu que procurou retratar as particularidades musicais das diferentes ilhas, com especial atenção às tradições das ilhas Brava e Boa Vista, numa perspectiva de preservação da identidade cultural cabo-verdiana.
Questionado sobre a preservação da música tradicional junto das novas gerações, considerou que cabe sobretudo aos adultos e às instituições culturais criar condições para que os jovens tenham contacto com a morna e outros géneros tradicionais.
O artista lamentou a reduzida presença dos géneros morna, coladeira, mazurca e batuque nos festivais realizados em Cabo Verde e considerou que a ausência limita as oportunidades de transmissão do património musical às novas gerações.
“Quando fechamos a porta da morna, os mais novos não poderão dar o seu contributo”, concluiu, com um apelou a uma maior consciência colectiva sobre a necessidade de valorizar a música tradicional cabo-verdiana.
A apresentação do projecto está prevista para o dia 21, no Centro Cultural Cabo-verdiano, em Lisboa (Portugal), seguindo-se uma apresentação em Madrid (Espanha), junto da Embaixada de Cabo Verde.
KA/AA
Inforpress/Fim
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