
Adis Abeba, 15 Set (Inforpress) - Os analistas da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA) veem uma evolução positiva do continente no facto de ter havido mais subidas do que descidas de 'ratings' em África no primeiro semestre deste ano.
"As revisões em alta superaram as revisões em baixa, enquanto as revisões positivas das perspetivas excederam as revisões negativas; o conjunto destas medidas sugere que os progressos nas reformas e a melhoria da gestão macroeconómica sustentaram uma dinâmica de crédito mais forte em várias economias, mesmo que as vulnerabilidades orçamentais, de financiamento e do setor externo continuem a pesar sobre outras", escrevem os economistas.
De acordo com a análise semestral dos 'ratings' em África, levada a cabo pelo Mecanismo Africano de Revisão por Pares, "as notações de crédito soberano africanas no primeiro semestre de 2026 refletiram fundamentos internos mais sólidos, a par de um ambiente global mais incerto, com o crescimento, as reformas fiscais e os esforços de gestão da dívida a apoiarem melhorias em alguns países".
Noutros, ainda assim, "as tensões geopolíticas, a volatilidade das matérias-primas, os custos elevados do serviço da dívida e as condições de financiamento mais restritivas continuaram a pesar".
Cabo Verde, Gana, Quénia, Nigéria e África do Sul receberam uma subida de pelo menos uma das três principais agências de 'rating' (Moody's, Standard & Poor's e Fitch) relativamente à capacidade de pagamento aos credores, o Botsuana e Moçambique registaram as únicas descidas do 'rating' soberano, ao passo que o Gabão, o Mali e o Senegal sofreram revisões em baixa sobre a evolução da perspetiva do 'rating', associadas a pressões fiscais, riscos de financiamento e preocupações com a sustentabilidade da dívida.
"De um modo geral, as ações de 'rating' registadas no primeiro semestre de 2026 apontam para uma mudança gradual nos fatores que determinam a solvabilidade soberana em África", escrevem os economistas.
No final de 2025, explicam, a evolução dos ‘ratings’ esteve associada à questão da dívida, enquanto no primeiro semestre deste ano o foco mudou para a credibilidade das políticas e a sustentabilidade das reformas económicas no tempo.
"As agências de notação financeira recompensaram cada vez mais os países que mantiveram a consolidação orçamental, melhoraram a gestão da dívida, reforçaram a resiliência externa e demonstraram uma implementação consistente das políticas; em contrapartida, os países com fragilidades orçamentais persistentes, pressões de refinanciamento, desafios de governação ou elevada dependência de uma base restrita de matérias-primas continuaram a enfrentar pressões negativas nos 'ratings'", lê-se no relatório.
Assim, concluem os economistas, "manter o ímpeto das reformas, reforçar a credibilidade institucional e alargar a resiliência económica continuarão a ser fundamentais para o desempenho futuro dos ‘ratings’ no continente".
Nos primeiros seis meses deste ano, nove países africanos, incluindo Angola, foram aos mercados internacionais para angariar um total de mais de 14 mil milhões de dólares, cerca de 12 mil milhões de euros.
Isto reflete, diz esta agência da ONU, "um melhor acesso ao mercado e uma forte procura por parte dos investidores em relação a alguns emissores soberanos africanos, a par de operações ativas de refinanciamento e de gestão de passivos".
Para os economistas deste órgão da União Africana, isto é importante porque mostra uma recuperação gradual do acesso aos mercados internacionais e um aumento do apetite dos investidores por países credíveis, mas também expõe "as substanciais necessidades de refinanciamento" dos países africanos.
Inforpress/Lusa
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