
Cidade da Praia, 10 Set (Inforpress) — O Presidente da República escusou-se hoje a confirmar se será candidato a um segundo mandato à chefia do Estado, remetendo uma posição definitiva para os próximos dias.
A posição foi manifestada pelo Presidente da República durante a conferência de imprensa de balanço dos seus cinco anos de mandato, num momento de esclarecimento em que respondeu às questões dos jornalistas sobre os ganhos, os constrangimentos e as perspectivas para o futuro de Cabo Verde.
No fecho do seu quinquénio, José Maria Neves assumiu o papel de “pacificador” da Nação num contexto global incerto, garantindo sentir-se hoje “muito melhor preparado e moderador” do sistema político para continuar a exercer o cargo e defender a estabilidade do arquipélago.
“Quanto a uma eventual candidatura, no momento certo eu pronunciar-me-ei se serei ou não candidato a Presidente da República”, afirmou o Chefe de Estado em resposta aos jornalistas.
Confrontado com o facto de ter declarado sentir-se mais confiante no cargo, Neves gracejou com o uso da pontuação jornalística ao notar que muitas vezes, quando se escreve um texto e se põem reticências, “fica muito mais bonito porque abre caminho a várias expectativas e especulações”, reiterando que, passados cinco anos, se sente hoje “um muito melhor moderador do sistema político”.
Inquirido sobre os momentos e aprendizagens que marcaram a sua passagem pelo Palácio Presidencial, o Chefe de Estado recusou classificar qualquer episódio como “negativo”, preferindo elencar os problemas estruturais que exigem resposta urgente das autoridades executivas.
Nas ilhas, o Presidente colocou o dedo na ferida do envelhecimento demográfico e na necessidade de descentralização.
“O grande desafio é o envelhecimento da população. Isso traz perguntas e abre caminho a debates sobre profundas reformas que teremos de fazer, designadamente no domínio da segurança social”, observou.
A par desta questão, apontou a urgência de dar mais poderes às autarquias e resolver os graves estrangulamentos nos transportes e evacuações médicas inter-ilhas.
Sobre a convivência institucional com o Governo, José Maria Neves classificou as relações como “serenas e produtivas”, admitindo, contudo, a existência de atritos naturais ao exercício dos poderes.
“É claro que sempre há momentos de tensão, às vezes até de alguma hostilidade. O importante é que o Presidente da República cuidou para que as relações fossem produtivas e contribuíssem para o bom funcionamento das instituições”, frisou.
Relativamente à diplomacia regional, designadamente a crise política na Guiné-Bissau, José Maria Neves defendeu a eficácia da actuação discreta, rejeitando o “protagonismo de praça pública”.
“Nós não podemos estar a fazer diplomacia na rua. Acompanho com muita atenção e tenho dialogado com todas as partes na Guiné-Bissau para ajudar a encontrar as melhores soluções”, concretizou.
Lembrando que o Presidente da República não governa, não constrói estradas nem distribui empregos, José Maria Neves fez questão de sublinhar que exerceu a totalidade das competências constitucionais reservadas ao cargo, à excepção de duas.
“Felizmente há poderes que o Presidente não exerceu porque só se aplicam em momentos extremos: não dissolvi o Parlamento e não declarei a guerra”, finalizou, com um sorriso.
SC/HF
Inforpress/Fim
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