
*** Por Luís Carvalho, da Agência Inforpress ***
Cidade da Praia, 10 Jun (Inforpress) - O presidente do conselho de administração (PCA) da Imprensa Nacional de Cabo Verde disse hoje que o início da personalização e produção nacional de documentos de segurança desde 18 de Maio é um “marco histórico” para o país.
Em entrevista à Inforpress, Raimundo Lopes considerou que o arranque operacional ("go-live") da nova gráfica de segurança é um passo para a soberania documental do país, que passou a produzir internamente os principais documentos de identificação dos cidadãos, reduzindo a dependência externa e reforçando a soberania nacional.
"Cabo Verde, desde o dia 18 de Maio, pode dizer que tem maior soberania na produção dos seus documentos de segurança", afirmou o PCA da Imprensa Nacional de Cabo Verde (INCV), acrescentando que até ao momento da entrevista, a empresa já havia produzido mais de 1.000 Cartões Nacionais de Identificação (CNI); os primeiros Títulos de Residência para Estrangeiros (TRE), cerca de 50 passaportes electrónicos em fase de publicação.
O PCA da INCV adiantou que a capacidade instalada supera a procura nacional, pelo que já pensam no mercado externo, nomeadamente da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
“A nova infra-estrutura foi concebida para responder confortavelmente às necessidades do país”, indicou Raimundo Lopes, para quem diariamente a gráfica de segurança pode produzir 1.200 Cartões Nacionais de Identificação, 1.200 Títulos de Residência e 2.400 Passaportes electrónicos.
Com base nos dados históricos, acrescentou aquele responsável, a procura anual pode rondar 80 mil CNI; 60 mil passaportes e 5 mil títulos de residência.
Para Raimundo Lopes, estes números demonstram que existe margem para explorar novos mercados, sobretudo na região da CEDEAO e da CPLP.
Ao todo, conforme o PCA da INCV, o projecto envolveu um investimento global estimado entre 400 e 500 mil contos.
A Imprensa Nacional aplicou mais de 300 mil contos na remodelação e adaptação das instalações, enquanto o projecto GESTDOC, financiado pela União Europeia e executado pelo Instituto Camões, contribuiu com cerca de 140 mil contos em equipamentos, assistência técnica e sistemas de segurança.
O parceiro técnico foi a Casa da Moeda, responsável pela transferência de conhecimento, assistência especializada e implementação dos padrões de segurança.
Para Raimundo Lopes, uma das principais vantagens da produção local dos documentos de segurança é a redução dos tempos de espera.
Acredita que a produção em território nacional permitirá respostas mais rápidas aos cidadãos.
"Se foram três dias, pode passar para um ou dois dias", indicou o PCA da INCV.
A internacionalização é a próxima meta da empresa, que, de acordo com o seu dirigente, já iniciou contactos com parceiros de países lusófonos interessados em conhecer a experiência cabo-verdiana, nomeadamente Moçambique e Timor-Leste.
“A ambição é transformar Cabo Verde numa referência regional na produção de documentos de segurança, aproveitando a capacidade excedentária instalada.
Consciente da exigência técnica do sector, a Imprensa Nacional investiu na formação de quadros nacionais.
“Já foram recrutados técnicos especializados e estabelecidos mecanismos para garantir manutenção de primeiro nível localmente, reduzindo gradualmente a dependência externa”, assinalou Raimundo Lopes, acrescentando que o objectivo futuro passa também pela instalação de um centro de dados próprios e pelo reforço da autonomia tecnológica do sistema.
Apesar da aposta estratégica na gráfica de segurança, Raimundo Lopes esclareceu que a instituição continuará a operar noutras áreas, como publicação do Boletim Oficial digital, impressão gráfica tradicional e produção de manuais escolares.
No entanto, reconhece que a gráfica de segurança será o principal motor de crescimento da empresa nos próximos anos, podendo acrescentar cerca de 250 a 260 mil contos anuais ao volume de negócios.
Para Raimundo Lopes, Cabo Verde deixou de ser apenas consumidor destes serviços para se afirmar como produtor de documentos de segurança com padrões internacionais.
LC/ZS
Inforpress/Fim
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