
Santa Maria, 22 Jun (Inforpress) – O Presidente da República, José Maria Neves, considerou este domingo, 21, em Santa Maria, que o Festival Literatura Mundo do Sal atingiu os seus objectivos, transformando a ilha numa centralidade literária internacional e gerando uma autêntica "movida cultural".
O Chefe de Estado, que falava no acto de encerramento da oitava edição do festival, sublinhou que a complexidade e a qualidade do certame agregam ao destino turístico do Sal "novas ofertas de convívio e de fruição", através de um leque variado que incluiu sessões científicas, palestras, exposições de livros e artes plásticas, exibição de documentários e encontros com estudantes.
"Constatamos que é possível pensar a literatura a partir de novos paradigmas e outros pontos de observação", sublinhou, enaltecendo a presença de autores da Alemanha, Brasil, Guiné-Bissau, Itália, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.
Um dos pontos do discurso presidencial foi a aclamação das homenagens desta edição, que distinguiram a cantadeira cabo-verdiana Inácia Gomes (Nha Nacia Gomi), figura cimeira da oratura e do cancioneiro tradicional, e o poeta brasileiro Manoel de Barros.
"Reconheço tratar-se de um novo olhar, sem uma oposição disjuntiva entre universal e local, entre norte e sul, entre línguas e culturas, entre literatura e oratura", afirmou.
José Maria Neves contextualizou ainda a importância do festival neste ano de 2026, que considerou "fértil em acontecimentos", destacando a passagem dos 40 anos do movimento Procultura e a organização do primeiro encontro internacional da criolidade.
O mais alto magistrado da Nação defendeu uma perspectiva comparatista e alargada para a literatura cabo-verdiana, que "é muito mais ancestral do que aquela produzida no século XIX" e que não se polariza apenas em torno da importante geração da revista Claridade.
O Chefe de Estado fez também questão de realçar a componente científica do festival sob a curadoria da professora Inocência Mata, louvando o foco nos painéis metodológicos e epistemológicos, mas conduzidos "sem hermetismo académico", permitindo que mediadores e leitores debatam a circulação global das obras.
Ao concluir, o Presidente da República fez uma viagem pela história do evento, lembrando que, desde o seu arranque em 2017, ano em que se homenageou Corsino Fortes e o Nobel José Saramago, o festival tem honrado a Língua Portuguesa e a história africana.
Evocou igualmente edições anteriores como a que celebrou o centenário de Amílcar Cabral e os 500 anos de Camões (2024), ou a que assinalou os 50 anos das independências africanas (2025) através de figuras como Agostinho Neto, Onésimo Silveira, Noémia de Sousa e Alda Espírito Santo.
NA/ZS
Inforpress/Fim
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