
***Por: Lucilene Fernandes Salomão, da Agência Inforpress***
Ponta do Sol, 04 Jul (Inforpress) – As últimas intervenções no Estádio João Serra estão concluídas, alojamentos esgotaram a capacidade e as primeiras caravanas de adeptos já seguem rumo a Santo Antão.
A poucas horas da final do Campeonato Nacional de Futebol, a cidade da Ponta do Sol prepara-se para viver o maior acontecimento futebolístico da sua história.
Dentro de algumas horas, todas as atenções do futebol cabo-verdiano estarão voltadas para o Estádio João Serra, palco da final que colocará frente a frente o Palmeira, actual campeão nacional, e o Mindelense, o clube mais titulado do país, determinado a recuperar um troféu que lhe escapa há quatro anos.
Mais do que coroar o campeão nacional, a final representa um marco para a região norte de Santo Antão que, ao longo de décadas, recebeu jogos do campeonato nacional, mas nunca acolheu o encontro que decide o título e, hoje, essa página será escrita na Ponta do Sol.
A realização da final é o culminar de um trabalho iniciado muito antes de ser conhecido o emparelhamento entre Palmeira e Mindelense.
Durante anos, a Associação Regional de Futebol de Santo Antão Norte alimentou a ambição de trazer para a região o jogo mais importante do calendário futebolístico nacional, um objectivo que começou a ganhar forma com a substituição do relvado do estádio João Serra.
Para o presidente da Associação Regional de Futebol de Santo Antão Norte, Hermes Pinto, receber a final representa a concretização de um sonho há muito perseguido pela região.
"É com muito orgulho e honra que a região Norte recebe esta final", afirmou à Inforpress, considerando que este é um dos momentos mais marcantes desde que assumiu a presidência da associação.
Hermes Pinto assegurou que toda a logística necessária para acolher o maior evento do futebol nacional ficou concluída nos últimos dias.
“O alojamento das equipas, da equipa de arbitragem e dos dirigentes da Federação Cabo-verdiana de Futebol foi articulado entre a associação regional, a Câmara Municipal da Ribeira Grande e a federação”, salientou.
Apesar de nenhuma equipa de Santo Antão marcar presença na decisão do título, o dirigente acredita que a rivalidade entre Mindelense e Palmeira garante, por si só, "uma final de grande qualidade" e um ambiente à altura da ocasião.
"Vai ser uma festa enorme no 'João Serra'. As condições estão reunidas para termos uma grande final", assegurou.
Quem entrar no Estádio João Serra encontrará um recinto diferente daquele que recebeu as últimas competições regionais.
Nos últimos meses, o estádio transformou-se num verdadeiro estaleiro para responder às exigências da Federação Cabo-verdiana de Futebol e preparar-se para acolher, pela primeira vez, a final.
A substituição integral do relvado constituiu o ponto de partida de um conjunto de intervenções que mudaram a imagem do recinto.
Seguiram-se a ampliação das bancadas, a requalificação das instalações sanitárias, a substituição de equipamentos, a pintura integral do estádio, novos acessos à tribuna VIP e a criação de melhores condições de conforto e segurança para atletas, dirigentes e adeptos.
Para o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Armindo da Luz, as obras representam mais do que uma resposta às exigências da final.
"Queremos um estádio digno, moderno e com qualidade para a prática do futebol", afirmou.
Segundo Armindo da Luz, além dos 17 metros de bancada agora construídos, a autarquia pretende avançar, numa segunda fase, com uma nova ampliação das bancadas e a reestruturação da tribuna VIP, numa aposta contínua na modernização do recinto desportivo.
O edil revelou ainda que depois do investimento realizado na substituição do relvado o município aplicou cerca de cinco mil contos em novas intervenções no estádio, assegurando que o projecto não termina com a realização da final.
"O Estádio João Serra continuará a ser melhorado. Queremos que este seja um estádio preparado para receber grandes competições e servir o futebol de Santo Antão durante muitos anos", sublinhou.
A expectativa em torno da final faz-se sentir muito para além do estádio João Serra.
À medida que se aproxima a hora do pontapé de saída, a cidade da Ponta do Sol ganha um movimento pouco habitual, impulsionado pela chegada de visitantes, dirigentes, equipas e adeptos que escolheram Santo Antão para acompanhar o jogo.
Alojamentos da Ponta do Sol e da Ribeira Grande esgotaram praticamente a capacidade para este fim de semana, reflexo da forte procura gerada pela final.
São igualmente esperadas caravanas provenientes das ilhas do Sal e de São Vicente para apoiar Palmeira e Mindelense, numa deslocação que deverá levar milhares de adeptos ao Norte de Santo Antão e transformar, por um dia, a pequena cidade da Ponta do Sol no centro das atenções do futebol nacional.
Consciente da dimensão do evento, a Câmara Municipal da Ribeira Grande decidiu fazer da final muito mais do que um simples jogo de futebol, preparando um programa de animação que pretende envolver residentes e visitantes numa verdadeira celebração popular.
Antes do pontapé de saída, o ambiente será animado pela actuação da cantora Jéssica e, ao intervalo, grupos de tamboreiros levarão ao relvado um pouco da identidade cultural santantonense.
Nas imediações do Estádio João Serra decorrerá, igualmente, uma feira de produtos agrícolas, artesanato e gastronomia, acompanhada por animação musical, numa iniciativa que pretende promover os produtores locais e proporcionar aos visitantes uma mostra da riqueza cultural e económica de Santo Antão.
Para o presidente da Câmara Municipal da Ribeira Grande, Armindo da Luz, a realização da final representa também uma oportunidade para promover o concelho e afirmar Santo Antão como um destino capaz de acolher grandes eventos desportivos.
"O desporto também é festa, convívio e promoção do território", sustentou o autarca, apelando à população e aos visitantes para viverem este momento num ambiente de paz, fraternidade e “fair play”.
Enquanto a cidade se prepara para receber milhares de adeptos, a Polícia Nacional ultimou também o plano de segurança.
Com uma assistência estimada entre 1.800 e 2.000 espectadores, o dispositivo envolverá 35 efectivos, reforçados por agentes das esquadras da Ribeira Grande, Paul e Porto Novo, distribuídos por diferentes pontos estratégicos da cidade e do estádio João Serra.
Segundo a comandante da Esquadra Policial da Ponta do Sol, Joana Costa, o plano contempla o controlo dos acessos ao estádio, a gestão da circulação de pessoas e viaturas e o ordenamento das zonas de estacionamento.
“Durante a realização da final, toda a área envolvente ao Estádio João Serra estará interditada ao trânsito automóvel, sendo reservada exclusivamente à circulação pedonal, uma medida destinada a garantir maior segurança e fluidez perante os milhares de adeptos esperados”, explicou.
A responsável apelou ainda ao civismo dos espectadores e à colaboração com as autoridades para que a final decorra sem incidentes.
"Queremos que, no final, todos sejamos vencedores", afirmou.
Se fora das quatro linhas o ambiente já é de festa, dentro do relvado promete-se um dos jogos mais aguardados e equilibrados da temporada.
Naquela que será a sua primeira final nacional como treinador principal do Mindelense, Américo Medina, conhecido por Miki, reconheceu o valor do adversário, mas garantiu que a equipa viajou para Santo Antão apenas com um objectivo: conquistar o campeonato.
"Será um jogo extremamente difícil frente ao campeão de Cabo Verde, mas temos a nossa ambição e o nosso sonho. Tudo faremos para atingir o nosso objectivo", afirmou.
O técnico assegurou que a preparação da equipa não sofrerá alterações apenas por se tratar de uma final.
"Não há nenhum trabalho de nove meses que vá mudar em dois dias", sublinhou, deixando um apelo aos adeptos para acompanharem o Mindelense do primeiro ao último minuto.
Do outro lado estará um Palmeira habituado a discutir títulos.
Actual campeão nacional, o conjunto salense procura conservar o troféu conquistado na época passada e alcançar o título de bicampeão, prolongando um ciclo de sucesso nas competições nacionais.
O treinador Toca Leite garantiu que a equipa chega preparada e sem pressão adicional pela defesa do título.
"Sabemos que vamos defrontar a equipa com mais títulos do futebol cabo-verdiano, mas o nosso objectivo é ganhar e regressar ao Sal como bicampeões", afirmou.
O técnico disse acreditar que os adeptos assistirão a uma final intensa, equilibrada e disputada até ao último minuto.
A partida será dirigida por uma equipa de arbitragem de Santo Antão Norte liderada pelo árbitro Cláudio Lopes, tendo como assistentes Wilton Fortes e Alain Neves, enquanto Edgar Davids assumirá as funções de quarto árbitro.
Durante noventa minutos, Palmeira e Mindelense disputarão o troféu mais cobiçado do futebol cabo-verdiano.
Pela primeira vez, a região Norte recebe a final do Campeonato Nacional e transforma Ponta do Sol no coração do futebol cabo-verdiano.
LFS/HF
Inforpress/Fim
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