
São Filipe, 03 Jul (Inforpress) – A quinta edição da Festa do Queijo de Monte Grande aposta na valorização dos produtos locais, a capacitação das comunidades e a reflexão sobre o futuro do desenvolvimento agropecuário da região serrana da ilha do Fogo.
Organizada pela Associação Ka Djidja a Festa do Queijo decorrerá de 13 a 18 de Julho na comunidade de Monte Grande, situado a menos de 15 quilómetros a sul da cidade de São Filipe, e que tem como uma das principais actividades económicas a pecuária.
Ao longo de seis dias, o evento contará com um programa diversificado, concebido para promover o queijo de Monte Grande e da ilha do Fogo, incentivar o empreendedorismo rural e reforçar a importância da inovação e da sustentabilidade perante os desafios impostos pelas alterações climáticas.
A programação tem início entre os dias 13 e 15 de Julho com acções de formação e capacitação em transformação de sisal e carapate, proporcionando novas oportunidades de valorização destes recursos locais.
No dia 16 de Julho, será realizada a Rota do Queijo, com visitas às cooperativas e aos produtores da região, permitindo aos participantes conhecer de perto os métodos tradicionais de produção e a riqueza do património agroalimentar de Monte Grande.
No dia 17 de Julho, terá lugar o Fórum de Desenvolvimento Local, subordinado ao tema "desenvolvimento agropecuário da Região Serrana", espaço de debate que reunirá diferentes intervenientes para reflectir sobre os desafios e as oportunidades do sector.
O encerramento, a 18 de Julho, será marcado por uma grande celebração popular, com exposição e degustação de produtos locais, feira de saúde e diversas actividades culturais, promovendo a identidade, a gastronomia e a cultura da comunidade.
Segundo Pedro Matos, da Associação Ka Djidja, esta quinta edição assume um significado especial ao colocar em destaque o sisal como uma alternativa viável e sustentável para fortalecer a economia rural, sobretudo num contexto de escassez de água, pastos e de mudanças climáticas que afectam profundamente a actividade agropecuária na região.
"O sisal, que emoldura o queijo através do cincho, simboliza também a resistência de mulheres e homens que, desta vez, contrariando Ovídio Martins, são eles que têm ensinado as cabras a comer pedras para não perecerem, porque já não há pastos. Não há água. O que há é resistência e a fé de que a chuva voltará a cobrir de verde os cutelos e as ladeiras, da cor mais bela, porque é a cor da esperança", destacou Pedro Matos, invocando ainda o pensamento de Amílcar Cabral.
A V Festa do Queijo de Monte Grande afirma-se como um espaço de valorização do conhecimento local, de promoção da economia solidária e de afirmação da capacidade de resiliência das comunidades serranas da ilha do Fogo, que continuam a transformar os desafios em oportunidades de desenvolvimento.
JR/ZS
Inforpress/Fim
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