
Chã das Caldeiras, 29 Set (Inforpress) – A transformação digital e a inteligência artificial podem tornar a gestão turística mais eficiente e sustentável, mas devem estar ao serviço das comunidades, da natureza e do desenvolvimento dos territórios.
A posição foi defendida hoje, em Chã das Caldeiras, pela vice-directora de Turismo Sustentável e Resiliência, Sofia Gutiérrez, e pela embaixadora da União Europeia Sylvie Millot, durante a abertura da IV Conferência Internacional de Turismo de Natureza, que decorre na ilha do Fogo.
Para Sofia Gutiérrez, as novas tecnologias estão a alterar rapidamente a forma como as pessoas viajam, escolhem destinos e gerem a actividade turística, permitindo personalizar experiências, melhorar a eficiência, facilitar o acesso à informação e reforçar a conectividade.
Contudo, sublinhou que o turismo “não existe apenas em plataformas digitais”, mas nos territórios, comunidades, cultura, natureza e, sobretudo, nas pessoas.
Para a mesma, a transformação digital deve contribuir para o desenvolvimento sustentável, criando oportunidades para as comunidades, fortalecendo pequenas e médias empresas, diversificando a oferta turística e permitindo uma melhor distribuição dos benefícios do sector.
Defendeu, igualmente, o uso de dados geoespaciais, sistemas de observação e inteligência artificial para compreender os fluxos de visitantes, a pressão sobre os recursos e os impactos ambientais, permitindo passar de uma gestão “reactiva” para uma gestão preventiva e baseada em evidências.
Na cerimónia da abertura da conferência, a embaixadora da União Europeia em Cabo Verde, Sylvie Millot, destacou o potencial do país para diversificar os fluxos turísticos, dinamizar as economias locais e valorizar a diversidade dos seus destinos.
Segundo a diplomata, Cabo Verde recebe anualmente cerca de 1,2 milhões de visitantes, sendo 93 por cento (%) provenientes da Europa, mercado onde, afirmou, cresce o interesse pelas ilhas, pela sua natureza, música e oferta turística autêntica.
Sylvie Millot salientou que a experiência turística depende de informação, transporte, alojamento, serviços de qualidade, segurança e acesso a trilhos e paisagens protegidas e valorizadas.
Informou ainda que, no quadro da parceria entre a União Europeia e Cabo Verde, já foram mobilizados cerca de 400 milhões de euros através da iniciativa Global Gateway, destinados a áreas como energia limpa, infra-estruturas e conectividade.
Para a embaixadora, a inteligência artificial e as ferramentas digitais devem ser entendidas como instrumentos para conhecer melhor os visitantes, organizar os destinos e apoiar decisões, sem perder de vista as comunidades locais.
“São as pessoas que dão vida a um destino”, afirmou Sylvie Millot, defendendo uma preparação conjunta para responder ao crescente interesse turístico por Cabo Verde e garantir mais oportunidades para as populações locais.
Durante a cerimónia de abertura, várias entidades manifestaram pesar pelo acidente de viação que vitimou 25 pessoas e deixou outras três feridas e foi observado um minuto de silêncio em homenagem às vítimas.
A conferência decorre com apresentação e discussão dos vários painéis.
JR/HF
Inforpress/Fim
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