Fogo: Pessoas com perturbações mentais nas ruas de São Filipe geram preocupação após casos de agressão

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Fogo: Pessoas com perturbações mentais nas ruas de São Filipe geram preocupação após casos de agressão
05/09/26 - 12:32 pm

São Filipe, 05 Set (Inforpress) - A presença de pessoas com perturbações mentais a deambularem pelas ruas de São Filipe está a preocupar a população, sobretudo por questões de segurança e de dignidade humana.

A preocupação ganhou maior dimensão esta semana, depois de duas pessoas terem sido agredidas, em episódios distintos, alegadamente por indivíduos com sinais de perturbação mental.

Os casos voltaram a colocar em evidência a necessidade de reforçar a resposta às pessoas com problemas de saúde mental que permanecem sem acompanhamento adequado nas ruas da cidade, particularmente junto de estabelecimentos comerciais, bares, restaurantes e outros pontos de grande circulação.

Segundo relatos, algumas dessas pessoas circulam diariamente por diferentes zonas da cidade, dirigindo-se sobretudo a casas comerciais, bares e restaurantes para solicitar apoio.

Em determinadas situações, porém, a abordagem ocorre de forma agressiva, gerando receio entre comerciantes, clientes e outros cidadãos, colocando em causa a tranquilidade nos locais de maior movimento.

A situação é também apontada como um problema social e humanitário, uma vez que parte dessas pessoas não dispõe de acompanhamento regular ou de condições familiares para permanecer em casa.

Em muitos casos, as famílias não têm meios nem condições para acolher, manter e assegurar os cuidados necessários aos seus familiares com perturbações mentais.

A questão foi apresentada ao ministro da Saúde, Lúcio Fernandes, durante a sua primeira visita à ilha do Fogo enquanto titular da pasta.

Nos encontros mantidos com a equipa camarária de São Filipe, a direcção do Hospital Regional São Francisco de Assis e a Delegacia de Saúde, a situação das pessoas com perturbações mentais que vivem ou deambulam pelas ruas foi identificada como uma das preocupações que exigem uma resposta das autoridades.

Lúcio Fernandes reconheceu a necessidade de reforçar a resposta na área da saúde mental e admitiu a possibilidade de criação ou adaptação de um espaço no Hospital Regional São Francisco de Assis para o internamento de doentes psiquiátricos.

A medida poderá representar um reforço importante da capacidade de resposta local, sobretudo perante situações em que o acompanhamento familiar e ambulatório se revela insuficiente e existe necessidade de cuidados especializados e de maior supervisão.

O presidente da Câmara Municipal de São Filipe considera, por sua vez, que a situação ultrapassa a questão da segurança e deve ser encarada como um problema humanitário e de dignidade da pessoa humana.

Nuías Silva defendeu que estas pessoas não podem continuar a permanecer nas ruas sem uma resposta adequada, sublinhando a necessidade de criar condições para que possam receber acompanhamento, tratamento e cuidados compatíveis com a sua situação.

A preocupação das autoridades e da população não significa, contudo, que as pessoas com perturbações mentais sejam, por si só, consideradas perigosas.

O desafio passa por garantir acompanhamento adequado, prevenir situações de crise e, simultaneamente, assegurar a segurança das próprias pessoas e da comunidade.

A eventual criação ou adaptação de uma estrutura de internamento psiquiátrico em São Filipe poderá, assim, constituir uma resposta a uma situação que há vários anos permanece visível nas ruas da cidade, permitindo articular melhor os serviços de saúde, as famílias e as instituições sociais.

JR/AA

Inforpress/Fim

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